Sinusite: Como identificar e quando se preocupar

Este conteúdo foi elaborado pelo Dr. Lucas Zambon (CRM-PR 31209).

Dor no rosto, pressão facial, secreção nasal, nariz entupido e crises repetidas podem estar associados à sinusite ou a outros quadros nasais semelhantes.

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Anatomia dos seios da face — rinossinusite

Dor na face, nariz entupido, secreção espessa que escorre pela garganta e pressão que piora ao abaixar a cabeça. Esse conjunto de sintomas afeta milhões de brasileiros e recebe o nome técnico de rinossinusite — reconhecida no dia a dia simplesmente como sinusite.

A condição não é apenas um resfriado prolongado. Segundo o EPOS 2020 (European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps), a rinossinusite é definida pela inflamação simultânea da mucosa nasal e dos seios paranasais, com critérios clínicos específicos que determinam o manejo adequado.

Compreender a origem, a classificação e as opções de tratamento disponíveis é o primeiro passo para resolver o problema de forma definitiva — e não apenas aliviar os sintomas por alguns dias.


Resumo Rápido: Sinusite (Rinossinusite)

O que e: Inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais (maxilar, frontal, etmoidal, esfenoidal)
Duração: Aguda (<12 semanas) · Crônica (>12 semanas) · Recorrente (4 ou mais episódios/ano)
Causa mais comum: Viral (90 a 98% dos episódios agudos); bacteriana como complicação em minoria dos casos
Sintomas cardinais: Obstrução nasal, secreção nasal (anterior ou posterior), dor/pressão facial, redução do olfato
Diagnóstico: Predominantemente clínico; tomografia reservada para casos crônicos, refratários ou pre-cirúrgicos
Quando procurar médico: Sintomas além de 10 dias, piora após melhora inicial, febre alta, sinais oculares ou neurologicos

O que e rinossinusite (sinusite)?

O termo correto é rinossinusite. O prefixo “rino” reflete um dado anatômico importante: a mucosa que reveste o nariz e continua com a dos seios paranasais. Na prática clínica, raramente ocorre inflamação isolada dos seios sem envolvimento nasal simultâneo.

Os seios paranasais são cavidades pneumáticas comunicadas com a cavidade nasal. Existem quatro pares principais: maxilares (nas bochechas), frontais (na testa), etmoidais (entre os olhos) e esfenoidais (na base do crânio). Cada par drena por uma abertura específica — o óstio — que permite ventilação e eliminação de secreção.

Quando esses óstios ficam obstruídos — por edema inflamatório, muco espesso ou alteração anatômica — a secreção se acumula, a pressão aumenta e surgem os sintomas característicos: dor na face, obstrução nasal e secreção persistente.

Segundo o EPOS 2020 (Fokkens WJ et al., Rhinology, 2020 — PMID 32077450), o diagnóstico de rinossinusite exige a presença de pelo menos dois sintomas cardinais, sendo obrigatoriamente um deles obstrução nasal ou secreção nasal. Dor facial isolada sem sintomas nasais raramente corresponde a sinusite.

Tipos de sinusite: como se classificam

A classificação da rinossinusite orienta diretamente o tratamento. O critério principal e a duração dos sintomas.

Rinossinusite aguda

Dura menos de 12 semanas com resolução completa dos sintomas entre os episódios. É a forma mais prevalente. A maioria tem origem viral e resolve espontaneamente em 7 a 10 dias.

Para diagnóstico e manejo específico desse quadro: sinusite aguda diagnóstico e tratamento.

Rinossinusite crônica

Definida por sintomas que persistem além de 12 semanas sem resolução completa. Pode ocorrer com pólipos nasais (CRSwNP) ou sem (CRSsNP). O manejo envolve investigação das causas subjacentes e tratamento de longa duração.

Para aprofundar nesse quadro específico: sinusite crônica o que é.

Rinossinusite aguda recorrente

Quatro ou mais episódios agudos por ano, com resolução completa entre eles. Cada episódio e tratado individualmente, mas a recorrência exige investigação sistematica de fatores predisponentes que mantêm a vulnerabilidade da mucosa.

Causas e fatores que facilitam o aparecimento

A rinossinusite resulta da interação entre agentes externos — vírus, bactérias, fungos — e condições do próprio organismo que comprometem os mecanismos de defesa nasal.

Origem infecciosa

Vírus respiratórios respondem pela grande maioria dos episódios agudos. Rhinovírus, influenza, parainfluenza e coronavírus provocam edema da mucosa nasal, obstruem os óstios sinusais e criam ambiente propício ao acúmulo de secreção.

Bactérias respondem por uma fração reduzida dos casos agudos — estimada entre 2% e 10% segundo a diretriz AAO-HNS 2015 (Rosenfeld RM et al., Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2015 — PMID 25832968). Os agentes mais frequentes são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. A sinusite bacteriana surge geralmente como complicação de um quadro viral não resolvido.

Origem fúngica

Fungos — mencionados na etiologia geral desde o EPOS 2020 — respondem por uma parcela pequena, mas clinicamente relevante, dos casos de rinossinusite. Três formas principais são reconhecidas, com populações em risco e condutas distintas.

Bola fúngica (micetoma sinusal) é a apresentação mais frequente em imunocompetentes. Desenvolve-se habitualmente no seio maxilar ou esfenoidal por acúmulo de hifas fúngicas sem invasão tecidual. O quadro cursa com obstrucção, pressão facial unilateral e, por vezes, secreção com aspecto peculiar. O tratamento é cirúrgio endoscópico — curetagem dos seios — sem necessidade de antifúngico sistêmico na maioria dos casos.

Rinossinusite alérgica fúngica (AFRS) acomete principalmente pacientes atópicos com hipersensibilidade a fungos. Caracteriza-se por mucina espessa e eosinofílica (“mucina alérgica”) nos seios, pólipos nasais e possível erosão óssea por pressão. O manejo combina cirurgia endoscópica e corticosteroide sistêmico no pós-operatório, com monitoramento de recidiva.

Rinossinusite fúngica invasiva aguda é infrequente, porém de alta morbimortalidade. Ocorre quase exclusivamente em imunodeprimidos graves — diabéticos com cetoacidose, neutropênicos, transplantados e pacientes em uso prolongado de corticosteroide sistêmico em dose alta. A invasão vascular com necrose tecidual é característica: achado de necrose em corneto ou palato em paciente imunodeprimido configura emergência médica. Os gêneros mais envolvidos são da ordem Mucorales (mucormicose) e Aspergillus sp., com prognóstico reservado mesmo após tratamento antifúngico e cirúrgico agressivo.

Fatores anatômicos

Desvio de septo nasal, hipertrofia de cornetos e outras variações anatômicas podem estreitar as vias de drenagem dos seios, favorecendo acúmulo de secreção e recorrência dos episódios. Essas condições não causam sinusite isoladamente, mas criam predisposição relevante quando associadas a infecções ou inflamação.

Comorbidades

A rinite alérgica não controlada é um dos principais fatores de risco para rinossinusite recorrente e crônica. O edema crônico da mucosa, decorrente da resposta alérgica, reduz continuamente a drenagem sinusal. Além disso, asma, fibrose cística, discinesia ciliar primária e imunodeficiências comprometem os mecanismos de limpeza mucociliar — conforme descrito no EPOS 2020.

Outros fatores predisponentes

  • Tabagismo (paralisa os cílios e prejudica a defesa mucociliar)
  • Exposição ocupacional a poluentes e irritantes
  • Refluxo gastroesofagico (irritação da mucosa nasofaringea)
  • Problemas dentarios nos dentes superiores — com raizes proximas ao seio maxilar
  • Imunodeficiências primárias ou secundárias

Sintomas que caracterizam a rinossinusite

O EPOS 2020 define quatro sintomas cardinais para o diagnóstico de rinossinusite:

  • Obstrução ou congestão nasal
  • Secreção nasal anterior ou posterior (coriza ou escorrimento pela garganta)
  • Dor ou pressão facial
  • Redução ou perda do olfato

Para diagnóstico, necessita-se pelo menos dois desses sintomas, sendo obrigatoriamente um deles obstrução ou secreção nasal. Dor facial isolada sem sintomas nasais raramente tem sinusite como causa.

Para analise detalhada de cada sintoma e quando indicam avaliação especializada: sintomas da sinusite.

Pressão e peso no rosto

A sensação de pressão ou peso facial — especialmente nas bochechas, testa ou ao redor dos olhos — resulta do acúmulo de secreção e do aumento de pressão dentro dos seios inflamados. Piora ao abaixar a cabeça, ao realizar movimentos bruscos ou em variações de pressão atmosférica.

Quando a pressão no rosto indica sinusite e quando aponta para outras causas: pressão no rosto pode ser sinusite.

Dor de cabeça e sinusite

A cefaleia na rinossinusite tem localização frontal ou facial, piora ao abaixar a cabeça e tende a melhorar ao assumir posição vertical. Dores de cabeça recorrentes sem sintomas nasais associados raramente têm sinusite como causa — enxaqueca e cefaleia tensional são diagnósticos muito mais prevalentes nessa situação.

Para entender quando a dor de cabeça e realmente sinusite: sinusite causa dor de cabeça.

Secreção amarela ou verde

A cor da secreção, por si só, não distingue sinusite viral de bacteriana. Catarro amarelado ou esverdeado pode ocorrer em sinusites virais — especialmente após o 3.o ou 4.o dia, com concentração de células inflamatórias no muco. A persistência além de 10 dias associada a outros critérios clínicos é que orienta a suspeita bacteriana.

O que a cor da secreção realmente indica: catarro amarelo pode ser sinusite.

Quando a dor facial exige avaliação especializada

Dor na face tem multiplas origens além da rinossinusite: problemas dentarios, neuralgia do trigemio, disfunção da articulacao temporomandibular, cefaleia em salvas e, em casos mais raros, tumores na regiao de cabeça e pescoco.

A avaliação otorrinolaringológica permite distinguir essas causas com precisão. Para conhecer o espectro completo de causas de dor facial: dor na face o que pode ser.

Sinais que indicam avaliação urgente — independentemente da causa:

  • Inchaco ou vermelhidão ao redor dos olhos
  • Visão dupla ou redução da acuidade visual
  • Dificuldade de movimentar os olhos
  • Febre alta persistente acima de 39 graus
  • Rigidez de nuca associada a febre
  • Alteração do nível de consciencia ou confusão mental
  • Inchaco na testa com dor local intensa

Esses achados podem indicar complicações orbitarias ou intracranianas — situações de emergência que requerem avaliação hospitalar imediata.

As complicações graves da rinossinusite são infrequentes, mas de morbimortalidade significativa quando não reconhecidas precocemente. A celulite orbitária — extensão da infecção etmoidal para a órbita — e a trombose do seio cavernoso figuram entre as mais descritas na literatura. Meningite e abscesso intracraniano são complicações raras, porém de alta gravidade. A presença de qualquer sinal ocular ou neurológico em contexto de rinossinusite requer avaliação médica imediata, independentemente da duração prévia dos sintomas ou da aparente moderação do quadro inicial.

Sinusite bacteriana ou viral: o critério que orienta o tratamento

Essa distinção é central: antibióticos são eficazes apenas em sinusites bacterianas. Utiliza-los em sinusites virais — a grande maioria dos casos — não acelera a recuperação, expoe o paciente a efeitos adversos e contribui para resistência bacteriana.

A revisão Cochrane sobre antibióticos em rinossinusite aguda (PMID 24515610) estima que aproximadamente 80% dos pacientes melhoram sem antibiótico em até duas semanas. A AAO-HNS 2015 recomenda conduta expectante para casos não complicados.

Os critérios clínicos que aumentam a probabilidade de origem bacteriana incluem: sintomas persistentes além de 10 dias sem melhora, piora após período inicial de melhora (“piora bifasica”) e inicio grave com febre igual ou acima de 39 graus Celsius e dor facial intensa desde o primeiro dia.

Para os critérios de diferenciacao e quando o antibiótico e indicado: sinusite bacteriana ou viral como diferenciar.

Sinusite em criancas: apresentação diferente, critérios específicos

Criancas desenvolvem rinossinusite com frequência — em parte porque têm, em media, 6 a 8 episódios de infecção de vias aereas superiores por ano, cada um capaz de evoluir para sinusite.

A AAP (American Academy of Pediatrics), no guideline de 2013 (Wald ER et al., Pediatrics — PMID 23796742), define tres padroes de apresentação que sustentam a suspeita de sinusite bacteriana pediátrica:

  • Sintomas persistentes: coriza ou tosse diurna por mais de 10 dias sem melhora
  • Curso de piora: melhora inicial seguida de recrudescencia dos sintomas
  • Inicio grave: febre igual ou acima de 39 graus Celsius com secreção purulenta desde o inicio, por pelo menos 3 dias consecutivos

O guideline pediátrico não recomenda tomografia de rotina em casos não complicados — fica reservada para suspeita de complicação ou quando avaliação cirúrgica se faz necessaria.

As partícularidades da sinusite na infancia: sinusite em criancas quando suspeitar.

Rinite e sinusite: condições relacionadas mas distintas

Rinite e rinossinusite frequentemente coexistem, mas são entidades diferentes. A rinite limita-se a inflamação da mucosa nasal, sem envolvimento dos seios paranasais. A rinossinusite implica inflamação concomitante do nariz e dos seios.

A relação entre elas e bidirecional: a rinite alérgica não controlada cria edema crônico da mucosa que obstrui os óstios sinusais, predispondo a sinusite. Por outro lado, a rinossinusite grave pode secundáriamente amplificar a resposta inflamatória nasal.

A distinção clínica importa porque o tratamento de primeira linha difere: rinite alérgica requer controle da resposta imunologica; rinossinusite bacteriana pode requerer antibiótico. Tratar apenas um dos problemas quando ambos coexistem resulta em controle incompleto.

Para as diferencas clínicas entre as duas condições: diferenca entre rinite e sinusite.

Como o diagnóstico e organizado

O diagnóstico de rinossinusite e predominantemente clínico. A historia detalhada e o exame fisico são os pilares da avaliação — a maioria dos casos agudos não exige exames complementares de imagem.

Historia clínica e exame fisico

O otorrinolaringologista investiga duração, padrão temporal dos sintomas, resposta a tratamentos previos, historia de atopia, tabagismo e condições associadas. A rinoscopia anterior avalia mucosa, secreção e desvios anatômicos visiveis.

Nasofibroscopia ou endoscopia nasal

O exame endoscópico com fibra optica permite visualizacao direta das fossas nasais e nasofaringe — identifica secreção saindo dos óstios sinusais, pólipos, alterações anatômicas e lesoes inacessiveis pela rinoscopia. E o principal recurso diagnóstico em casos crônicos ou de apresentação atípica.

Tomografia computadorizada dos seios da face

A tomografia e o exame de imagem padrão-ouro para os seios paranasais. A AAO-HNS 2015 e o EPOS 2020 convergem: não e indicada de rotina em rinossinusite aguda não complicada. Fica reservada para:

  • Rinossinusite crônica quando se considera cirurgia (mapa cirúrgico)
  • Suspeita de complicação orbitaria ou intracraniana
  • Casos refratários que não respondem ao tratamento clínico otimizado
  • Investigacao de alterações anatômicas relevantes

Outros exames quando indicados

Testes alérgicos são úteis quando há forte suspeita de rinite alérgica como fator predisponente. Cultura de secreção nasal fica reservada para casos graves, imunodeprimidos ou refratários ao antibiótico de primeira linha. Em criancas com episódios muito recorrentes, pode-se investigar imunodeficiências e fibrose cística.

Gradação de gravidade: leve, moderada e grave

O EPOS 2020 recomenda a escala visual analógica (EVA) para quantificar a intensidade dos sintomas e orientar a decisão terapêutica. Pontuação de 0 a 3 caracteriza rinossinusite leve; de 4 a 7, moderada; acima de 7, grave. Essa gradação determina o ponto de entrada no tratamento: casos leves e moderados iniciam com medidas sintomáticas e não antibióticas; casos graves ou com evolução prolongada têm avaliação individualizada para escalada terapêutica.

A gradação de gravidade orienta também a decisão de encaminhar para avaliação especializada. Sintomas moderados a graves sem resposta ao tratamento inicial em 48 a 72 horas, quadros com piora progressiva ou episódios recorrentes sustentam a indicação de consulta com otorrinolaringologista — especialmente quando se cogita investigação endoscópica nasal ou tomografia dos seios da face.

Opcoes de tratamento da rinossinusite

O tratamento varia conforme o tipo de rinossinusite, a gravidade e as condições do paciente. A abordagem e escalonada — inicia-se pelas medidas de menor invasão e avanca conforme a resposta clínica.

Lavagem e irrigação nasal salina

A irrigação nasal com solução salina e recomendada pelo EPOS 2020 e pela AAO-HNS 2015 como medida adjuvante em rinossinusites agudas e crônicas. O mecanismo e mecanico: remove secreções, reduz edema da mucosa e melhora a função ciliar.

A técnica de grande volume (240 a 250 ml por narina, 2 a 4 vezes ao dia) e mais eficaz que sprays de pequeno volume. A instrução adequada sobre a realização do procedimento e essencial para garantir eficácia e tolerabilidade.

Para técnicas e recursos para aliviar a obstrução nasal: como desentupir nariz entupido.

Corticosteroide intranasal

Os sprays de corticosteroide intranasal (mometasona, fluticasona, budesonida) reduzem a inflamação da mucosa e o edema. São o tratamento de primeira linha para rinossinusite crônica e constituem adjuvante útil na aguda moderada, especialmente quando há rinite alérgica associada. O uso adequado exige técnica correta — a medicação deve ser direcionada para a parede lateral da fossa nasal, e não para o septo. Para orientações detalhadas sobre a aplicação correta do spray nasal: como usar remédio para rinite (spray nasal).

Descongestionantes nasais: uso restrito

Sprays vasoconstritores (oximetazolina, nafazolina) aliviam rapidamente a obstrução nasal, mas o uso deve ser limitado a no máximo 3 a 5 dias consecutivos. O uso prolongado provoca rinite medicamentosa — fenômeno de rebote no qual a mucosa desenvolve dependência e fica cronicamente congestionada na ausência do produto.

Analgésicos, antitérmicos e controle sintomático

O controle da dor e da febre em episódios agudos utiliza paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, dipirona), conforme tolerância e contraindicações individuais. Esses recursos não alteram o curso da doença, mas reduzem o desconforto enquanto a resolução natural do quadro viral ocorre. Compressas mornas sobre a face também auxiliam no alívio da pressão sinusal de forma sintomática. A posição de repouso com a cabeça levemente elevada favorece a drenagem sinusal e reduz a congestão durante o sono.

Anti-histamínicos de primeira geração não apresentam evidência consistente de benefício em rinossinusite sem componente alérgico confirmado. O efeito anticolinérgico pode espessar a secreção e dificultar a drenagem dos óstios sinusais. Quando há rinite alérgica documentada como condição associada, anti-histamínicos de segunda geração — sem efeito sedativo e com menor ação anticolinérgica — integram o manejo da doença de base.

Antibióticos: apenas quando bacteriana

A indicação de antibiótico restringe-se a casos com suspeita sustentada de etiologia bacteriana conforme os critérios clínicos ja descritos. A amoxicilina com clavulanato e a primeira escolha segundo a AAO-HNS 2015. A duração e de 5 a 10 dias para adultos com rinossinusite bacteriana aguda não complicada.

O uso em rinossinusite viral — a forma mais prevalente — não acelera a recuperação, expoe o paciente a efeitos adversos e contribui para resistência bacteriana.

Nebulização como recurso auxiliar

A nebulização com solução fisiológica pode umidificar as vias aereas e auxiliar na liquefação de secreções espessas, sendo utilizada como medida de suporte. A eficácia no contexto da rinossinusite e mais limitada do que a da irrigação nasal de grande volume.

O que a evidência diz sobre nebulização no contexto da rinossinusite: nebulização para sinusite funciona.

Cirurgia endoscópica nasal (FESS): escalada quando necessario

A cirurgia endoscópica nasal e indicada para casos selecionados em que o tratamento clínico não produziu controle adequado. As principais indicações incluem rinossinusite crônica refratária após pelo menos 12 semanas de tratamento otimizado, pólipose nasal extensa com obstrução significativa, bola fúngica nos seios paranasais e complicações orbitarias ou intracranianas.

A cirurgia recupera a drenagem e a ventilação dos seios por via endoscópica, sem incisoes externas. A maioria dos pacientes com rinossinusite obtem controle sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Indicacoes, técnica e pós-operatório: cirurgia de sinusite FESS indicação.

Prevenção de rinossinusite recorrente

A prevenção da rinossinusite recorrente passa pelo controle dos fatores que mantêm a mucosa nasal vulneravel. As intervenções com melhor respaldo segundo o EPOS 2020 e a AAO-HNS 2015 incluem:

  • Controle da rinite alérgica: uso regular de corticosteroide intranasal e, quando indicado, imunoterapia alérgica reduzem episódios de rinossinusite em pacientes com atopia
  • Higiene nasal regular: irrigação com solução salina, especialmente após exposição a ambientes poluidos ou com alto índice de partículas
  • Cessacao do tabagismo: o tabagismo paralisa os cílios e compromete o clearance mucociliar de forma direta
  • Vacinacao: vacinas contra influenza e pneumococo reduzem a incidência de infecções respiratórias que precedem a sinusite
  • Tratamento de comorbidades: controle de refluxo gastroesofagico e de problemas dentarios nos molares superiores
  • Umidificacao de ambientes: ambientes com ar muito seco comprometem a hidratação da mucosa e dificultam o transporte mucociliar

A cessação do tabagismo representa, de forma isolada, a intervenção com maior impacto sustentado em pacientes tabagistas. O tabaco compromete o clearance mucociliar de modo dose-dependente — a paralisia ciliar ocorre em poucos minutos de exposição à fumaça — e retarda a recuperação da mucosa mesmo após episódios infecciosos tratados adequadamente. Estudos observacionais indicam redução relevante na frequência e na duração dos episódios após 6 a 12 meses de abstinência tabágica.

Em casos de rinossinusite crônica com pólipos (CRSwNP) grave e refratária após tratamento clínico otimizado por período adequado, o EPOS 2020 passou a contemplar agentes biológicos como opção de terceira linha. Essa indicação restringe-se a subgrupos específicos com inflamação eosinofílica tipo 2 documentada e não se aplica a formas agudas, crônicas leves ou moderadas, nem a casos sem pólipos nasais. A avaliação para essa modalidade requer investigação especializada completa.

Para o protocolo completo de prevenção: como prevenir sinusite recorrente.

Saiba Mais: Sinusite

O portal reune conteudos especializados que aprofundam cada aspecto da rinossinusite — desde sintomas específicos até recursos de tratamento e situações especiais como a pediátrica. Navegue pelos topicos que mais se aplicam ao seu caso.


Perguntas Frequentes sobre Sinusite

O que e rinossinusite e como ela difere de um resfriado comum?

Rinossinusite e a inflamação concomitante da mucosa nasal e dos seios paranasais. O resfriado comum afeta principalmente o nariz e a garganta e dura em media 7 a 10 dias com resolução completa. Na rinossinusite, os seios paranasais estão inflamados, produzindo dor ou pressão facial, redução do olfato e obstrução mais intensas e prolongadas. O diagnóstico exige pelo menos dois sintomas cardinais — obstrução nasal, secreção nasal, dor ou pressão facial e redução do olfato — sendo obrigatoriamente um deles obstrução ou secreção, conforme o EPOS 2020.

Toda sinusite precisa de antibiótico?

Nao. A grande maioria dos episódios agudos tem origem viral — entre 90% e 98% dos casos — e resolve espontaneamente sem antibiótico em 1 a 2 semanas. A revisão Cochrane (PMID 24515610) estima que aproximadamente 80% dos pacientes melhoram sem antibiótico em até 14 dias. O antibiótico so e indicado quando há suspeita fundamentada de etiologia bacteriana: sintomas persistentes além de 10 dias, piora após melhora inicial ou inicio grave com febre alta e dor facial intensa desde o primeiro dia.

Qual a diferenca entre sinusite aguda e crônica?

A distinção e baseada na duração. Rinossinusite aguda: sintomas com menos de 12 semanas e resolução completa entre os episódios. Rinossinusite crônica: sintomas persistentes por mais de 12 semanas sem resolução completa mesmo com tratamento. A forma crônica exige investigação de fatores perpetuadores — pólipos nasais, alterações anatômicas, asma, rinite alérgica não controlada — e tratamento de longa duração distinto da forma aguda.

Lavagem nasal funciona para sinusite?

Sim. A irrigação nasal com solução salina e recomendada pelo EPOS 2020 e pela AAO-HNS 2015 como medida adjuvante em rinossinusite aguda e crônica. O mecanismo e mecanico: remove secreções acumuladas, reduz edema da mucosa e melhora o transporte mucociliar. A técnica de grande volume — 240 a 250 ml por narina, 2 a 4 vezes ao dia — e significativamente mais eficaz que sprays de pequeno volume. A orientacao sobre a realização correta do procedimento e necessaria para garantir eficácia e tolerabilidade.

Quando a cirurgia de sinusite e indicada?

A cirurgia endoscópica nasal (FESS) e indicada em situações selecionadas: rinossinusite crônica refratária sem resposta após no mínimo 12 semanas de tratamento clínico otimizado; pólipose nasal com obstrução significativa que não responde a medicamentos; complicações orbitarias ou intracranianas; bola fúngica nos seios; e alterações anatômicas obstrutivas comprovadas. A maioria dos pacientes obtem controle adequado com tratamento clínico. O pós-operatório inclui lavagens nasais e corticosteroide intranasal.

Por que a sinusite fica recorrendo?

Quatro ou mais episódios agudos por ano caracterizam rinossinusite aguda recorrente. As causas mais frequentes são rinite alérgica não controlada (o fator predisponente mais comum), desvio de septo com comprometimento de drenagem, pólipos incipientes, imunodeficiência parcial e tabagismo ativo. Tratar apenas o episódio agudo sem investigar o fator perpetuador resulta em recorrência inevitavel.

Quais sinais indicam que a sinusite pode ser grave?

Sinais de complicação exigem avaliação urgente: inchaco ou vermelhidão ao redor dos olhos, visão dupla ou redução da acuidade visual, dificuldade de movimentar os olhos, febre acima de 39 graus Celsius persistente, rigidez de nuca com febre, confusão mental ou alteração do nível de consciencia e inchaco na fronte com dor intensa. Esses achados podem indicar complicações orbitarias ou intracranianas que requerem internação hospitalar e tratamento imediato.

Dr. Lucas de Azeredo Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825

Referencias Médicas Principais

  1. Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020 (EPOS 2020). Rhinology. 2020. PMID: 32077450. Diretriz europeia de referencia para diagnóstico e classificação de rinossinusite aguda e crônica.
  2. Rosenfeld RM, Piccirillo JF, Chandrasekhar SS, et al. Clinical Practice Guideline (Update): Adult Sinusitis. Otolaryngology–Head and Neck Surgery. 2015. PMID: 25832968. Guideline AAO-HNS para rinossinusite aguda em adultos; critérios de antibiótico, watchful waiting e imagem.
  3. Zalmanovici Trestioreanu A, Yaphe J. Intranasal steroids for acute sinusitis. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2013. PMID: 24515610. Revisão Cochrane; estimativa de resolução espontanea em aproximadamente 80% dos casos agudos em até duas semanas.
  4. Wald ER, Applegate KE, Bordley C, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of Acute Bacterial Sinusitis in Children Aged 1 to 18 Years. Pediatrics. 2013. PMID: 23796742. Guideline AAP; tres padroes de apresentação pediátrica; sem imagem em casos não complicados.
  5. Wald ER, Nash D, Eickhoff J. Effectiveness of amoxicillin/clavulanate potassium in the treatment of acute bacterial sinusitis in children. Pediatrics. 2009. PMID: 19564277. Ensaio clínico (N=56): amoxicilina/clavulanato 50% de cura vs 14% placebo em sinusite bacteriana pediátrica.
  6. Bachert C, Han JK, Desrosiers M, et al. Efficacy and safety of dupilumab in patients with severe chronic rhinosinusitis with nasal polyps (SINUS-24 and SINUS-52). Lancet. 2019. PMID: 31543428. Dupilumabe em CRSwNP refratária; contexto de biologicos em doenca crônica grave.

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