Preciso levar meu filho no médico para remover tubo de ventilação do ouvido?
Preciso levar meu filho no médico para remover tubo de ventilação do ouvido? 👶🏥
Se seu filho teve tubos de ventilação (também chamados tubos de timpanostomia) colocados nos ouvidos, é natural que você tenha dúvidas sobre o processo de remoção. Principalmente pais frequentemente perguntam: “Quando o tubo vai cair?”, “Preciso levar ao médico para tirar?”, “E se cair sozinho em casa?”. Vamos esclarecer essas questões comuns e explicar quando intervenção médica é realmente necessária.
🔧 O que são tubos de ventilação?
Primeiramente, compreender função desses pequenos dispositivos ajuda entender por que eventualmente precisam sair. Tubos de ventilação, tecnicamente denominados tubos de timpanostomia, são pequenos cilindros (geralmente 1-2mm de diâmetro) inseridos através da membrana timpânica (tímpano).
Função dos tubos de ventilação:
- Equalização de pressão: mantêm ouvido médio ventilado artificialmente quando tuba auditiva não funciona adequadamente
- Drenagem de secreções: permitem que líquido acumulado no ouvido médio escoe para fora
- Prevenção de otites de repetição: reduzem drasticamente frequência de infecções auriculares
- Melhora auditiva: restauram audição normal ao eliminar líquido que abafava sons
- Prevenção de complicações: evitam perfurações timpânicas permanentes e problemas de desenvolvimento da fala
Principalmente tubos são indicados quando criança apresenta otites médias recorrentes (múltiplas infecções em curto período) ou otite média serosa crônica (líquido persistente no ouvido médio por meses). Ou seja, são solução temporária para problema que tuba auditiva natural não está conseguindo resolver adequadamente.
⏱️ Quanto tempo os tubos permanecem no ouvido?
Principalmente existem dois tipos de tubos com durações diferentes:
Tubos de curta duração (temporários):
- Tempo de permanência: geralmente 6 a 18 meses
- Características: menor diâmetro, material mais leve
- Extrusão espontânea: projetados para cair naturalmente conforme tímpano cicatriza e “empurra” tubo para fora
- Indicação típica: maioria dos casos pediátricos de otite média recorrente ou serosa
Tubos de longa duração (permanentes ou T-tubes):
- Tempo de permanência: podem permanecer anos (às vezes indefinidamente)
- Características: maior diâmetro, flanges maiores que “ancoram” no tímpano
- Extrusão espontânea: menos provável; frequentemente requerem remoção cirúrgica
- Indicação típica: casos graves, recorrências após tubos de curta duração, ou condições crônicas específicas
Consequentemente, tipo de tubo colocado influencia diretamente se remoção médica será necessária. Principalmente se não tem certeza qual tipo seu filho tem, consulte relatório cirúrgico fornecido pelo otorrinolaringologista após procedimento.
✅ Extrusão espontânea: o processo natural
Principalmente na maioria dos casos com tubos de curta duração, extrusão (saída) espontânea é esperada e desejável. Ou seja, não é “problema” quando tubo cai sozinho – é exatamente o que deveria acontecer.
Como ocorre a extrusão espontânea?
Membrana timpânica possui capacidade notável de cicatrização e migração celular. Principalmente camadas da membrana regeneram-se continuamente, migrando de dentro para fora. Consequentemente, esse processo gradual “empurra” tubo lentamente do centro do tímpano em direção à borda externa, até que cai no conduto auditivo externo.
O que esperar durante extrusão:
- Processo indolor: criança geralmente não sente nada quando tubo está saindo
- Pode passar despercebido: tubo pequeno pode cair durante banho, ao dormir, ou ser engolido sem perceber
- Ocasionalmente visível: pais podem notar pequeno cilindro no conduto auditivo durante higiene externa
- Possível secreção temporária: pequena quantidade de secreção pode ocorrer nos dias antes ou após extrusão
🏠 E se o tubo cair em casa? É emergência?
Principalmente pais frequentemente entram em pânico quando encontram tubo que caiu. Entretanto, extrusão espontânea em casa é perfeitamente normal e esperada. Ou seja, não é emergência médica.
O que fazer se tubo cair em casa:
- Mantenha a calma: isso é processo normal e esperado
- Guarde o tubo se encontrar: coloque em recipiente limpo para mostrar ao médico (mas não é essencial)
- Observe sintomas: criança não deve ter dor intensa, febre ou secreção abundante
- Agende consulta de rotina: não urgente, mas otorrinolaringologista deve avaliar em semanas seguintes
- Continue cuidados habituais: evite entrada de água no ouvido até avaliação médica confirmar cicatrização completa
Sinais que justificam avaliação mais urgente:
- Dor auricular intensa após extrusão: pode indicar infecção
- Secreção purulenta abundante: especialmente com odor fétido
- Febre: temperatura acima de 38°C
- Sangramento significativo: pequena quantidade de sangue é normal, mas sangramento contínuo não é
- Redução auditiva súbita e marcante: embora alguma alteração auditiva seja esperada temporariamente
Consequentemente, se criança está bem, brincando normalmente e sem sintomas preocupantes, extrusão em casa não requer visita de emergência. Principalmente agende retorno de rotina para otorrinolaringologista avaliar cicatrização e função auricular.
🏥 Quando remoção médica é necessária?
Principalmente algumas situações requerem que otorrinolaringologista remova tubo ativamente, em vez de aguardar extrusão espontânea:
Indicações para remoção cirúrgica:
1. Tubos de longa duração que não caem espontaneamente
Como mencionado anteriormente, tubos tipo T ou de longa duração possuem flanges maiores que dificultam extrusão natural. Principalmente se permanecem além de 2-3 anos, otorrinolaringologista pode recomendar remoção eletiva. Ou seja, procedimento programado em consultório ou centro cirúrgico (dependendo da cooperação da criança).
2. Infecções recorrentes ao redor do tubo
Embora tubos reduzam otites, ocasionalmente podem tornar-se colonizados por bactérias ou desenvolver tecido de granulação (cicatricial) ao redor. Principalmente se criança desenvolve otorreias (secreções) recorrentes que não respondem a tratamento tópico, remoção pode ser indicada mesmo antes de extrusão espontânea esperada.
3. Obstrução do tubo
Tubos podem obstruir-se com cerume, secreções secas ou tecido de granulação. Consequentemente, perdem função ventiladora. Ou seja, criança pode voltar a apresentar sintomas de ouvido “tampado” ou otites recorrentes. Principalmente se limpeza do tubo não resolve, remoção e possível substituição podem ser necessárias.
4. Tubos que migraram mas não caíram completamente
Ocasionalmente tubo migra parcialmente mas fica “preso” na borda do tímpano ou no conduto auditivo externo. Principalmente tentativas de remoção pelos pais devem ser evitadas – instrumentação inadequada pode traumatizar conduto ou tímpano. Consequentemente, otorrinolaringologista remove facilmente e com segurança em consultório.
5. Solicitação dos pais ou necessidade de atividades aquáticas
Alguns pais preferem remoção eletiva quando criança está bem e tubos completaram período terapêutico desejado. Principalmente permite criança retomar atividades aquáticas (natação, mergulho) sem restrições. Ou seja, decisão individualizada baseada em discussão entre família e otorrinolaringologista.
🔍 Como é feita a remoção médica?
Principalmente procedimento de remoção é relativamente simples, mas técnica varia conforme cooperação da criança:
Remoção em consultório (crianças cooperativas ou tubos já parcialmente extruídos):
- Anestesia tópica leve: gotas anestésicas no ouvido (opcional)
- Otomicroscopia: visualização ampliada do tímpano
- Remoção com pinça delicada: tubo é gentilmente apreendido e removido
- Duração: literalmente segundos por ouvido
- Desconforto: mínimo; criança pode sentir leve pressão ou “estalido”
Remoção em centro cirúrgico (crianças não-cooperativas ou tubos firmemente ancorados):
- Sedação ou anestesia geral leve: criança dorme durante procedimento
- Visualização microscópica: precisão máxima
- Remoção atraumática: especialmente importante se tubo está firmemente aderido
- Avaliação completa: otorrinolaringologista aproveita para avaliar ouvido médio e tuba auditiva
- Recuperação rápida: criança acorda minutos após procedimento
Principalmente decisão sobre local de remoção (consultório vs centro cirúrgico) baseia-se em idade da criança, temperamento, firmeza do tubo e preferências familiares. Ou seja, cada caso é individualizado.
🩹 Cuidados após extrusão ou remoção
Principalmente após tubo sair (espontaneamente ou por remoção), membrana timpânica precisa cicatrizar completamente. Ou seja, pequena perfuração onde tubo estava fecha-se naturalmente na maioria dos casos.
Orientações pós-extrusão:
- Manter ouvido seco: evitar entrada de água por 2-4 semanas (até médico confirmar cicatrização)
- Usar protetores auriculares no banho: bolas de algodão com vaselina externamente (não dentro do conduto)
- Evitar natação temporariamente: até liberação médica
- Observar sintomas: reportar dor, secreção ou febre ao otorrinolaringologista
- Retorno para avaliação: geralmente 4-6 semanas após extrusão para confirmar cicatrização e avaliar função tubária
🔄 E se o problema voltar após os tubos caírem?
Principalmente maioria das crianças não necessita tubos novamente. Entretanto, alguns casos requerem reinserção. Ou seja, decisão baseia-se em múltiplos fatores:
Indicações para tubos recorrentes:
- Recorrência de otites frequentes: retorno ao padrão pré-tubos
- Otite média serosa recorrente: líquido acumula-se novamente persistentemente
- Disfunção tubária crônica: tuba auditiva continua não funcionando adequadamente
- Impacto no desenvolvimento: atraso de fala ou dificuldades escolares relacionadas a audição
Consequentemente, acompanhamento otorrinolaringológico regular após extrusão é importante para detectar precocemente se novo tratamento será necessário. Principalmente muitas crianças “superam” problema conforme crescem e tuba auditiva amadurece anatomicamente.
📊 Estatísticas e prognóstico
Principalmente conhecer estatísticas ajuda pais terem expectativas realistas:
Dados importantes:
- Taxa de extrusão espontânea: 80-90% dos tubos de curta duração caem naturalmente dentro de 12-18 meses
- Cicatrização timpânica: 95% das perfurações cicatrizam completamente após extrusão
- Perfurações persistentes: 3-5% podem necessitar timpanoplastia (cirurgia reparadora) se não fecham espontaneamente
- Necessidade de tubos recorrentes: 20-30% das crianças necessitam segundo conjunto de tubos
- Resolução com crescimento: maioria “supera” problema até idade escolar (6-8 anos) conforme tuba auditiva amadurece
Ou seja, prognóstico geral é excelente. Principalmente tubos de ventilação são um dos procedimentos cirúrgicos pediátricos mais comuns e bem-sucedidos. Consequentemente, complicações graves são raras e benefícios (melhora auditiva, redução de infecções, desenvolvimento normal de fala) superam amplamente riscos.
👨👩👦 Orientações para pais
Principalmente papel dos pais é observação atenta sem ansiedade excessiva. Ou seja, tubos não tornam criança “frágil” – ela pode viver normalmente com poucas precauções.
O que pais devem fazer:
- ✅ Manter consultas de seguimento: otorrinolaringologista monitora função dos tubos e condição auricular
- ✅ Proteger ouvidos da água: usar protetores durante banho e natação (orientação varia entre médicos)
- ✅ Observar sinais de infecção: secreção, dor, febre
- ✅ Tratar otorreias conforme orientação médica: geralmente gotas antibióticas tópicas são suficientes
- ✅ Manter vacinações em dia: especialmente pneumocócica e influenza
O que pais NÃO devem fazer:
- ❌ Tentar remover tubo em casa: mesmo se parcialmente extruído, deixe otorrinolaringologista fazer
- ❌ Colocar cotonetes no ouvido: risco de empurrar tubo ou traumatizar estruturas
- ❌ Ignorar secreção persistente: pode indicar infecção que necessita tratamento
- ❌ Usar gotas não prescritas: alguns tipos podem ser inadequados com tubos
- ❌ Deixar água entrar livremente: siga orientações específicas de seu otorrinolaringologista sobre proteção aquática
Conclusão 🎯
Respondendo à pergunta inicial: Na maioria dos casos, NÃO é necessário levar ao médico especificamente para remover tubos de ventilação. Principalmente porque:
- Tubos de curta duração (maioria dos casos) caem naturalmente dentro de 6-18 meses
- Extrusão espontânea em casa é processo normal e esperado, não emergência
- Membrana timpânica cicatriza naturalmente em 95% dos casos
- Criança geralmente não sente dor quando tubo está saindo
Entretanto, remoção médica é necessária quando:
- Tubos são de longa duração (tipo T) que não caem espontaneamente
- Infecções recorrentes ao redor do tubo
- Obstrução do tubo comprometendo função
- Tubo migrou parcialmente mas não caiu completamente
Principalmente papel dos pais é observação atenta e manutenção de acompanhamento regular com otorrinolaringologista. Ou seja, não precisa ficar verificando ouvido obsessivamente esperando tubo cair, mas deve comparecer a consultas programadas e reportar sintomas preocupantes.
Consequentemente, confie no processo natural. Tubos foram colocados para ajudar seu filho e, quando trabalho deles estiver completo, sairão sozinhos na maioria das vezes. Principalmente membrana timpânica possui capacidade notável de cicatrização – pequena perfuração onde tubo estava fecha-se naturalmente, restaurando anatomia normal.
Afinal, tubos de ventilação são solução temporária que permite ouvido médio funcionar normalmente enquanto tuba auditiva natural amadurece. Quando essa maturação ocorre – geralmente até idade escolar – criança não necessita mais tubos e pode viver com audição e função auricular completamente normais.
📞 Agende sua consulta para avaliação e acompanhamento de tubos de ventilação
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Dr. Lucas Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825






