O que posso tomar para labirintite?
Labirintite ou tontura? Entenda por que nem toda tontura é labirintite 🌀🔬
Você sente tontura e alguém disse que é labirintite? Primeiramente, essa confusão é extremamente comum – mas também extremamente equivocada. Principalmente porque termo “labirintite” tornou-se sinônimo popular de qualquer episódio de tontura, quando na verdade representa diagnóstico específico e relativamente raro. Ou seja, generalizar qualquer tontura como labirintite não apenas está incorreto, mas pode retardar diagnóstico correto e tratamento adequado do problema real que você enfrenta.
🔬 O que realmente é labirintite?
Diagnóstico de labirintite é raro. Principalmente labirintite verdadeira é processo inflamatório ou infeccioso que acomete labirinto – estrutura localizada no ouvido interno responsável por audição (cóclea) e equilíbrio (vestíbulo). Entretanto, essa inflamação específica não ocorre com frequência que a população imagina.
Labirintite verdadeira – características:
- Causa infecciosa ou inflamatória: geralmente viral (mais comum) ou bacteriana (mais grave)
- Sintomas combinados: vertigem intensa + perda auditiva (neurossensorial) + zumbido
- Início súbito: quadro agudo que surge abruptamente
- Vertigem rotatória intensa: sensação de que tudo gira ao redor, náuseas e vômitos importantes
- Comprometimento auditivo: sempre presente – se não há perda auditiva, provavelmente não é labirintite
- Duração variável: dias a semanas dependendo da causa
Consequentemente, labirintite verdadeira é diagnóstico bastante específico com critérios clínicos bem definidos. Assim, grande maioria das tonturas que as pessoas experimentam NÃO são labirintite – são outras condições vestibulares ou não-vestibulares que causam tontura como sintoma.
Por que confusão aconteceu?
Termo labirintite é muito confundido como sendo sinônimo de tontura, e na verdade não é. Principalmente essa generalização ocorreu porque:
- Termo popularizado incorretamente: labirintite tornou-se “apelido” para qualquer tontura na linguagem coloquial
- Simplificação inadequada: pacientes e até profissionais usam termo genericamente por conveniência
- Falta de informação: população desconhece que existem dezenas de causas diferentes de tontura
- Complexidade diagnóstica: investigação de tontura requer avaliação detalhada, então rotular tudo como “labirintite” parece mais simples
Além disso, esse uso incorreto do termo tem consequências práticas graves. Ou seja, quando médico registra “labirintite” sem investigação adequada, ou quando paciente autodiagnostica-se, tratamento pode ser completamente inadequado para causa real. Portanto, precisão terminológica não é pedantismo – é necessidade médica para condução correta do caso.
🌀 Tontura: sintoma com múltiplas causas possíveis
É errado dizer que qualquer tontura é labirintite. Principalmente porque tontura é sintoma – não diagnóstico. Entretanto, compreender essa distinção fundamental é chave para abordagem correta.
Tontura como sintoma vs labirintite como diagnóstico:
Tontura (sintoma):
- Sensação subjetiva de alteração do equilíbrio ou percepção espacial
- Pode ter dezenas de causas diferentes
- Manifestação comum a múltiplas doenças
- Requer investigação para identificar causa subjacente
Labirintite (diagnóstico):
- Doença específica do ouvido interno
- Causa identificada (infecção/inflamação do labirinto)
- Tratamento direcionado à condição específica
- Representa UMA entre muitas causas possíveis de tontura
Assim, relação é: tontura é sintoma que pode ser causado por labirintite – mas também por vertigem posicional paroxística benigna, doença de Ménière, neurite vestibular, enxaqueca vestibular, causas cardiovasculares, neurológicas, metabólicas e muitas outras. Portanto, assumir automaticamente “tontura = labirintite” é equivalente a dizer “febre = dengue” – ignora todas outras possibilidades.
🔍 Tipos de tontura e suas características
Para complicar (ou esclarecer), existem diferentes tipos de tontura com características distintas. Primeiramente, classificar corretamente tipo de tontura já orienta significativamente investigação diagnóstica:
1️⃣ Vertigem (tontura rotatória):
- Característica: sensação de rotação – paciente sente que ele gira ou ambiente gira ao redor dele
- Causas mais comuns: vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), neurite vestibular, doença de Ménière, labirintite, enxaqueca vestibular
- Origem: geralmente sistema vestibular (ouvido interno ou nervo vestibular)
2️⃣ Desequilíbrio (instabilidade postural):
- Característica: sensação de instabilidade ao caminhar, insegurança postural, tendência a cair
- Causas mais comuns: neuropatia periférica, distúrbios cerebelares, problemas ortopédicos, déficit visual
- Origem: sistema nervoso central, sistema proprioceptivo, sistema visual
3️⃣ Pré-síncope (sensação de desmaio iminente):
- Característica: sensação de “escurecimento da vista”, fraqueza, impressão que vai desmaiar
- Causas mais comuns: hipotensão postural, arritmias cardíacas, anemia, hipoglicemia
- Origem: cardiovascular, metabólica
4️⃣ Tontura inespecífica:
- Característica: sensação vaga de “cabeça leve”, “cabeça oca”, difícil de descrever
- Causas mais comuns: ansiedade, depressão, hiperventilação, causas multifatoriais
- Origem: frequentemente psicogênica ou multifatorial
Consequentemente, apenas descrever detalhadamente tipo de tontura já fornece pistas diagnósticas valiosas. Assim, otorrinolaringologista experiente consegue direcionar investigação adequadamente baseado nessa caracterização inicial. Portanto, quando você consulta dizendo apenas “tenho labirintite”, está pulando etapa essencial de investigação diagnóstica.
🩺 Principais diagnósticos diferenciais de tontura
Existem vários diagnósticos possíveis quando sintoma é tontura. Principalmente:
✅ VPPB – Vertigem Posicional Paroxística Benigna:
- Causa mais comum de vertigem: representa 20-30% de todos os casos
- Característica: vertigem breve (segundos a minutos) desencadeada por mudanças de posição da cabeça
- Causa: cristais de cálcio (otólitos) deslocados nos canais semicirculares
- Tratamento: manobras de reposicionamento (manobra de Epley) – altamente eficaz
- Audição: preservada (diferente de labirintite)
✅ Neurite vestibular:
- Característica: vertigem intensa súbita que dura dias, sem perda auditiva
- Causa: inflamação do nervo vestibular (geralmente viral)
- Diferença crucial: SEM perda auditiva (enquanto labirintite TEM perda auditiva)
- Tratamento: corticoides, supressores vestibulares, reabilitação vestibular
✅ Doença de Ménière:
- Característica: crises recorrentes de vertigem (horas), perda auditiva flutuante, zumbido, plenitude auricular
- Causa: hidropsia endolinfática (acúmulo de líquido no ouvido interno)
- Padrão: episódios recorrentes, não crise única
- Tratamento: dieta hipossódica, diuréticos, tratamentos específicos conforme gravidade
✅ Enxaqueca vestibular:
- Característica: vertigem associada a enxaqueca, com ou sem cefaleia simultânea
- Duração: minutos a horas, geralmente recorrente
- Histórico: paciente frequentemente tem história de enxaqueca
- Tratamento: profilaxia de enxaqueca, evitar gatilhos
✅ Causas cardiovasculares:
- Hipotensão postural (queda de pressão ao levantar)
- Arritmias cardíacas
- Insuficiência vertebrobasilar (problemas vasculares cerebrais)
✅ Causas neurológicas:
- AVC (acidente vascular cerebral) de tronco cerebral ou cerebelo
- Tumores de ângulo pontocerebelar
- Esclerose múltipla
- Distúrbios cerebelares
✅ Causas metabólicas:
- Hipoglicemia
- Anemia
- Disfunções tireoidianas
Além disso, causas psicogênicas (ansiedade, síndrome do pânico, depressão) podem causar tontura crônica inespecífica. Ou seja, leque de possibilidades é amplo e variado. Portanto, rotular tudo como “labirintite” não apenas está incorreto – é potencialmente perigoso se causa real for algo que requer tratamento urgente (como AVC, arritmia cardíaca ou tumor).
💊 Antivertiginosos: uso racional baseado em diagnóstico
Existem vários antivertiginosos no mercado, porém indicação deve se basear na doença definida por diagnóstico. Principalmente porque diferentes causas de tontura respondem a tratamentos diferentes – ou até não respondem a antivertiginosos de forma alguma.
Principais classes de medicamentos para tontura:
- Supressores vestibulares: dimenidrinato, meclizina, prometazina – úteis em crises agudas, mas uso crônico retarda compensação vestibular
- Betaistina: indicada especialmente em doença de Ménière, controversa em outras condições
- Ginkgo biloba: evidências limitadas, uso controverso
- Flunarizina, cinarizina: indicadas principalmente em enxaqueca vestibular
- Benzodiazepínicos: uso limitado a crises agudas graves, potencial de dependência
Por que não usar antivertiginoso sem diagnóstico?
Consequentemente, usar medicamento “para tontura” sem saber causa é problemático porque:
- Eficácia limitada: medicamento pode não ser apropriado para causa específica que você tem
- Mascaramento de sintomas: alivia sintoma temporariamente mas não trata causa, retardando diagnóstico correto
- Retardo da compensação: supressores vestibulares usados cronicamente impedem mecanismo natural de compensação cerebral
- Efeitos adversos desnecessários: sonolência, boca seca, ganho de peso, outros efeitos colaterais sem benefício real
- Falsa sensação de controle: paciente pensa estar “tratando” quando apenas está suprimindo sintoma
- Perda de oportunidade terapêutica: tratamentos específicos (como manobras para VPPB) são muito mais eficazes que medicamentos
Assim, sugiro avaliação para definição do seu diagnóstico antes de fazer uso de medicamentos. Ou seja, primeiro diagnosticar corretamente, depois tratar especificamente. Portanto, automedicação com antivertiginosos sem investigação adequada raramente é solução – frequentemente perpetua problema.
🔬 Como é feita investigação diagnóstica adequada?
Avaliação completa de tontura envolve múltiplas etapas:
📋 Anamnese detalhada (história clínica):
- Caracterização da tontura: rotatória, desequilíbrio, pré-síncope, inespecífica?
- Duração dos episódios: segundos, minutos, horas, dias, constante?
- Fatores desencadeantes: mudança de posição, esforço, jejum, estresse?
- Sintomas associados: perda auditiva, zumbido, plenitude auricular, cefaleia, náuseas?
- Padrão temporal: episódio único, recorrente, progressivo?
- Medicações em uso: alguns medicamentos causam tontura como efeito colateral
- Comorbidades: hipertensão, diabetes, enxaqueca, ansiedade?
🔍 Exame físico otorrinolaringológico:
- Otoscopia: avaliação de ouvidos
- Audiometria: teste auditivo fundamental – identifica perda auditiva que sugere acometimento coclear
- Testes vestibulares clínicos: manobra de Dix-Hallpike (VPPB), head impulse test, outros
- Avaliação de equilíbrio: teste de Romberg, marcha tandem
- Nistagmo: observação de movimentos oculares involuntários característicos
🩻 Exames complementares (quando indicados):
- Vectoeletronistagmografia (VENG): avalia função vestibular detalhadamente
- Ressonância magnética: indicada em casos atípicos, sintomas neurológicos, suspeita de tumor
- Exames laboratoriais: glicemia, hemograma, função tireoidiana, outros conforme suspeita
- VPIT (Video Head Impulse Test): avaliação funcional dos canais semicirculares
- Potencial evocado auditivo: avalia via auditiva e estruturas neurais
Portanto, investigação é sistemática e individualizada. Principalmente nem todos pacientes precisam de todos exames – otorrinolaringologista direciona investigação baseado em hipóteses diagnósticas levantadas na anamnese e exame físico. Assim, processo é racional e custo-efetivo, não “bateria de exames indiscriminada”.
✂️ Quando suspeitar que NÃO é problema otorrinolaringológico?
Alguns sinais de alerta sugerem causas neurológicas ou cardiovasculares graves que requerem avaliação urgente:
🚨 Sinais de alerta (red flags):
- Cefaleia súbita intensa: pior cefaleia da vida
- Déficits neurológicos: fraqueza de membros, fala arrastada, visão dupla
- Alteração de consciência: confusão mental, sonolência
- Dor torácica ou palpitações: sugerem causa cardíaca
- Tontura desencadeada por esforço: pode indicar problema cardíaco
- Idade >50 anos + fatores de risco cardiovascular: atenção para AVC
- Trauma craniano recente: risco de sangramento intracraniano
Consequentemente, esses casos requerem avaliação em pronto-socorro, não apenas consulta ambulatorial. Principalmente porque algumas causas de tontura são emergências médicas que requerem tratamento imediato. Assim, não banalize tontura súbita intensa com sintomas neurológicos – procure atendimento urgente.
🎯 Tratamentos específicos baseados em diagnóstico correto
Quando diagnóstico é definido corretamente, tratamentos apropriados são muito eficazes:
Exemplos de tratamentos específicos:
- VPPB: manobra de reposicionamento canalicular (Epley) – taxa de sucesso >80% em sessão única
- Doença de Ménière: dieta hipossódica, diuréticos, betaistina, procedimentos específicos em casos refratários
- Neurite vestibular: corticoides na fase aguda, reabilitação vestibular posterior
- Enxaqueca vestibular: profilaxia com betabloqueadores, antidepressivos, mudanças de estilo de vida
- Causas metabólicas: correção de anemia, controle glicêmico, ajuste de hormônios tireoidianos
- Hipotensão postural: hidratação, meias de compressão, ajuste medicamentoso
Ou seja, tratamento correto depende fundamentalmente de diagnóstico correto. Portanto, investigar adequadamente antes de tratar não é perfeccionismo – é medicina baseada em evidências e bom senso clínico.
👨⚕️ Importância da avaliação com otorrinolaringologista
Tontura é sintoma complexo que requer avaliação especializada. Principalmente otorrinolaringologista tem treinamento específico em otoneurologia – subespecialidade que estuda equilíbrio e sistema vestibular. Ou seja, profissional mais qualificado para investigar e tratar maioria das causas de tontura.
Além disso, avaliação adequada economiza tempo, dinheiro e sofrimento. Consequentemente, anos de tontura mal controlada com antivertiginosos inadequados podem ser resolvidos em consultas quando diagnóstico correto é estabelecido e tratamento específico implementado. Assim, não aceite viver com tontura crônica rotulada genericamente como “labirintite” – investigue adequadamente.
Conclusão 🎯
Tontura é sintoma, labirintite é diagnóstico específico – e essa distinção é fundamental. Primeiramente, diagnóstico de labirintite é raro e representa apenas uma entre dezenas de causas possíveis de tontura. Principalmente porque termo labirintite é muito confundido como sendo sinônimo de tontura, e na verdade não é.
Ou seja, é errado dizer que qualquer tontura é labirintite. Assim como é errado usar antivertiginosos indiscriminadamente sem investigação diagnóstica adequada. Consequentemente, existem vários antivertiginosos no mercado, porém indicação deve se basear na doença definida por diagnóstico – não em sintoma genérico de tontura.
Além disso, cada causa de tontura tem tratamento específico e apropriado. Portanto, VPPB responde a manobras de reposicionamento (não medicamentos), enxaqueca vestibular responde a profilaxia específica, doença de Ménière requer dieta e medicações particulares, causas cardiovasculares exigem abordagem cardiológica. Assim, generalizar tudo como “labirintite” e usar antivertiginoso genérico desperdiça oportunidade de tratamento realmente eficaz.
Principalmente sugiro avaliação para definição do seu diagnóstico antes de fazer uso de medicamentos. Entretanto, não apenas “avaliação” superficial que rotula rapidamente como “labirintite” – mas investigação sistemática com anamnese detalhada, exame físico adequado e exames complementares quando indicados.
Portanto, se você tem tontura, não se conforme com diagnóstico vago ou automedicação. Procure otorrinolaringologista experiente em otoneurologia, relate seus sintomas detalhadamente, permita investigação adequada e siga tratamento específico baseado em diagnóstico correto. Consequentemente, suas chances de controlar ou resolver completamente tontura aumentam dramaticamente quando abordagem é racional e individualizada.
Saiba mais sobre labirintite.
📞 Agende sua avaliação para investigação diagnóstica completa
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Dr. Lucas Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825






