É normal respirar pela boca depois de uma cirurgia de adenóide?

Back to Blog
Cirurgia Adenóide em Curitiba

É normal respirar pela boca depois de uma cirurgia de adenóide?

Cirurgia Adenóide em CuritibaRonco persistente após cirurgia de adenoide: causas e investigação necessária 👶😴

Seu filho foi operado de adenoide mas continua roncando? Primeiramente, é importante entender que essa situação, embora frustrante para pais, não é incomum e tem explicações específicas. Principalmente existem várias questões que devem ser avaliadas para identificar causa do ronco persistente ou recorrente. Ou seja, resposta não é única – requer investigação sistemática e individualizada.

🔄 Recidiva de adenoide: tecido que cresce novamente

Uma das primeiras possibilidades a investigar é se adenoide voltou a aumentar seu volume (recidiva ou recrescimento). Primeiramente, é fundamental compreender que adenoide é tecido linfático – parte do sistema imunológico. Consequentemente, tem capacidade de regeneração, especialmente em crianças muito pequenas.

Por que adenoide pode crescer novamente?

  • Cirurgia realizada muito cedo: crianças operadas antes dos 2-3 anos têm maior taxa de recidiva
  • Remoção incompleta: principalmente quando técnica “às cegas” (curetagem tradicional) deixa restos nos recessos laterais
  • Estímulo imunológico persistente: infecções respiratórias frequentes estimulam crescimento de tecido linfático
  • Alergia respiratória não tratada: rinite alérgica crônica mantém inflamação que favorece hipertrofia
  • Predisposição individual: algumas crianças têm maior tendência a hipertrofia de tecido adenoideano

Além disso, estudos mostram que taxa de recidiva varia de 1% a 5% dependendo da técnica cirúrgica utilizada. Principalmente cirurgia videoassistida (com visualização direta) tem menor taxa de recrescimento comparada à técnica tradicional. Portanto, tipo de cirurgia realizada influencia probabilidade de recidiva.

Como diagnosticar recidiva de adenoide?

Diagnóstico de recrescimento adenoideano requer avaliação especializada. Primeiramente:

  • Nasofibroscopia: exame com fibra óptica flexível permite visualizar diretamente nasofaringe e avaliar se há tecido adenoideano significativo
  • Raio-X de cavum (perfil): mostra tamanho e posicionamento de adenoide em relação à via aérea
  • História clínica: sintomas retornaram gradualmente após período de melhora? Sugere recrescimento
  • Exame físico: avaliação de respiração nasal, qualidade vocal (rinolalia), fácies adenoideana

Ou seja, não se assume recidiva sem confirmação objetiva – exame de imagem ou visualização endoscópica são necessários. Assim, tratamento baseia-se em evidência, não suposição.

🔍 Outras causas de ronco: investigação abrangente necessária

Entretanto, adenoide recrescida não é única explicação para ronco persistente. Principalmente há necessidade de investigar outras causas de ronco que podem coexistir ou ser primárias. Consequentemente, avaliação deve ser ampla e sistemática.

👃 Avaliação do nariz é fundamental

Obstrução nasal por outras causas além de adenoide pode causar ou perpetuar ronco. Primeiramente:

Causas nasais de ronco:

  • Desvio de septo nasal: mesmo em crianças, pode obstruir significativamente
  • Hipertrofia de conchas nasais: aumento das estruturas dentro do nariz
  • Rinite alérgica: inflamação crônica causa edema e obstrução
  • Polipose nasal: rara em crianças, mas possível (investigar fibrose cística)
  • Atresia de coanas: estreitamento congênito da saída posterior do nariz
  • Corpo estranho nasal: crianças podem introduzir objetos que obstruem cronicamente

Além disso, avaliação do nariz inclui rinoscopia anterior (exame com espéculo nasal) e idealmente nasofibroscopia para visualizar anatomia completa. Dessa forma, identifica-se precisamente qual estrutura está obstruindo passagem de ar.

😮 Avaliação da garganta é fundamental

Orofaringe (garganta) é outro local crítico onde obstruções causam ronco e apneia. Principalmente:

Causas faríngeas de ronco:

  • Hipertrofia de amígdalas (tonsilas palatinas): causa mais comum de ronco infantil após adenoide
  • Flacidez de palato mole: palato vibra durante respiração gerando ronco
  • Úvula (campainha) alongada: obstrui parcialmente via aérea
  • Base de língua volumosa: especialmente em crianças com síndrome de Down ou outras síndromes
  • Retrognatia (queixo retraído): alteração anatômica que estreita espaço faríngeo
  • Obesidade infantil: depósito de gordura em tecidos faríngeos reduz espaço para passagem de ar

Consequentemente, exame físico completo da orofaringe é indispensável. Principalmente deve-se classificar tamanho das amígdalas (graus I a IV) e avaliar espaço disponível para passagem de ar (escala de Mallampati modificada para crianças). Portanto, olhar apenas adenoide é insuficiente – garganta precisa ser avaliada sistematicamente.

📋 Investigação completa: abordagem passo a passo

Quando criança continua roncando após adenoidectomia, protocolo de investigação deve ser seguido. Primeiramente:

1️⃣ História clínica detalhada

Perguntas importantes incluem:

  • Ronco melhorou inicialmente após cirurgia e depois piorou? (Sugere recidiva)
  • Ronco nunca melhorou ou melhorou pouco? (Sugere outra causa primária)
  • Há pausas respiratórias (apneias) observadas pelos pais?
  • Qualidade do sono: criança acorda frequentemente, tem pesadelos, sua muito?
  • Sintomas diurnos: sonolência, hiperatividade, déficit de atenção, baixo rendimento escolar?
  • Ganho de peso adequado? Crescimento estatural normal?
  • Sintomas alérgicos: espirros, coceira nasal, conjuntivite?
  • Infecções de vias aéreas frequentes?

Ou seja, contexto completo orienta hipóteses diagnósticas e direciona investigação.

2️⃣ Exame físico otorrinolaringológico completo

Principalmente deve incluir:

  • Rinoscopia anterior: avaliar septo, conchas, presença de secreção
  • Oroscopia: tamanho de amígdalas, espaço orofaríngeo, palato
  • Avaliação facial: fácies adenoideana, respiração oral, alterações dentárias
  • Ausculta respiratória: descartar problema pulmonar

3️⃣ Nasofibroscopia

Exame endoscópico permite visualização direta de:

  • Cavidade nasal completa (septo, conchas, meatos)
  • Rinofaringe (avaliar se há recidiva de adenoide)
  • Orofaringe posterior (tamanho de amígdalas, configuração faríngea)
  • Hipofaringe e laringe (descartar outras obstruções)

Além disso, exame é bem tolerado por crianças com anestesia tópica adequada e fornece informações impossíveis de obter por exame físico simples.

4️⃣ Exames complementares quando indicados

  • Raio-X de cavum (perfil): avaliar tamanho de adenoide residual
  • Polissonografia (exame do sono): quantificar gravidade de apneia obstrutiva do sono
  • Testes alérgicos: quando há suspeita de rinite alérgica
  • Tomografia de face: casos complexos com suspeita de alterações anatômicas significativas

5️⃣ Avaliação multidisciplinar quando necessário

  • Ortodontista/ortopedista facial: alterações de crescimento facial e má oclusão
  • Alergologista: rinite alérgica e asma associadas
  • Pneumologista pediátrico: casos complexos de apneia do sono
  • Fonoaudiólogo: avaliação de deglutição e respiração oral

Consequentemente, abordagem pode ser multidisciplinar dependendo da complexidade do caso. Portanto, otorrinolaringologista pediátrico frequentemente coordena esse time de especialistas.

🎯 Tratamento: individualizado conforme causa identificada

Após investigação completa identificar causa(s) do ronco persistente, tratamento é direcionado especificamente. Primeiramente:

Se recidiva de adenoide confirmada:

  • Reoperação (adenoidectomia revisional): preferencialmente por técnica videoassistida para remoção completa
  • Avaliar idade da criança e benefício versus risco (adenoide tende a regredir após 7-8 anos)

Se amígdalas hipertróficas identificadas:

  • Amigdalectomia (amigdalotomia): remoção ou redução de amígdalas
  • Frequentemente combinada com adenoidectomia revisional quando ambas obstruem

Se rinite alérgica significativa:

  • Corticoides nasais: reduzem inflamação e edema
  • Anti-histamínicos: controlam sintomas alérgicos
  • Lavagem nasal: higiene nasal com soro fisiológico
  • Imunoterapia: casos selecionados

Se obesidade contributiva:

  • Orientação nutricional: mudança de hábitos alimentares
  • Atividade física: estimular exercícios regulares
  • Acompanhamento pediátrico: controle de peso e crescimento

Se alterações anatômicas nasais:

  • Septoplastia: geralmente postergada para após crescimento facial completo
  • Turbinectomia/turbinoplastia: redução de conchas quando indicado

Ou seja, tratamento não é “receita de bolo” – é personalizado conforme achados específicos de cada criança. Assim, resultados são otimizados quando causa raiz é identificada e tratada apropriadamente.

⏰ Quando procurar otorrinolaringologista?

Você deve buscar reavaliação especializada se:

  • Ronco persistiu ou retornou após cirurgia de adenoide
  • Pausas respiratórias (apneias) são observadas durante sono
  • Criança acorda cansada, tem sonolência diurna ou hiperatividade
  • Respiração oral continua mesmo após cirurgia
  • Infecções de vias aéreas são muito frequentes
  • Crescimento ou ganho de peso estão inadequados
  • Rendimento escolar caiu ou há dificuldade de concentração

Principalmente não assuma que “é assim mesmo” ou “vai melhorar com o tempo”. Consequentemente, investigação adequada identifica causas tratáveis que fazem grande diferença na qualidade de vida da criança. Portanto, busque avaliação especializada – seu filho merece sono reparador e desenvolvimento saudável.

Conclusão 🎯

Ronco persistente ou recorrente após cirurgia de adenoide frustra pais e preocupa famílias. Primeiramente, entenda que essa situação tem explicações específicas e tratáveis. Principalmente existem várias questões que devem ser avaliadas – desde recidiva de adenoide até outras causas concomitantes.

Há necessidade de investigar sistematicamente causas de ronco através de história clínica detalhada, exame físico completo e exames complementares quando indicados. Além disso, avaliação do nariz e da garganta são fundamentais – não se pode olhar apenas adenoide isoladamente.

Principalmente identificação precisa da causa permite tratamento direcionado e eficaz. Ou seja, seja recidiva adenoideana, amígdalas hipertróficas, rinite alérgica, obesidade ou alterações anatômicas – cada condição tem abordagem específica. Consequentemente, resultados são excelentes quando diagnóstico é correto e tratamento adequado.

Portanto, se seu filho operou adenoide mas continua roncando, não se conforme. Procure otorrinolaringologista pediátrico para investigação completa. Assim, causa será identificada e tratada apropriadamente, restabelecendo sono reparador e qualidade de vida que toda criança merece.

Saiba mais sobre adenoide e adenoidectomia.

📞 Agende avaliação do seu filho para investigação de ronco persistente

🔗 Leia também outras dúvidas frequentes sobre otorrinolaringologia pediátrica

Dr. Lucas Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825

Compartilhar

Back to Blog