Dor de garganta: quando pode ser amigdalite?
A dor de garganta é um dos sintomas mais comuns — mas nem sempre é algo simples. Principalmente porque pode ter diversas causas. Desde infecções virais simples até condições mais sérias. Por isso, é fundamental entender quando a dor indica amigdalite.
Além disso, a amigdalite é muito comum em crianças. Portanto, conhecer sintomas, causas e tratamentos é essencial. Assim, você cuida melhor da saúde.
Amigdalite: como saber se é viral ou bacteriana
-
viral → sintomas leves, coriza, tosse, melhora sozinho
-
bacteriana → dor intensa, febre alta, placas na garganta, pode precisar antibiótico
O que é amigdalite?
É uma doença inflamatória e/ou infecciosa das amígdalas (tonsilas palatinas). Ela pode ser causada por vírus ou bactérias.
Dados epidemiológicos mostram que 75% dos casos são virais. Consequentemente, a maioria não precisa de antibióticos. Ou seja, o uso indiscriminado de antibióticos deve ser evitado. Os causadores virais mais comuns são:
- Rinovírus: vírus do resfriado comum
- Coronavírus: incluindo SARS-CoV-2
- Adenovírus: comum em crianças
- Herpes simples: pode causar amigdalite herpética
- Influenza e parainfluenza: vírus da gripe
- Epstein-Barr: causa mononucleose infecciosa
Por outro lado, as amigdalites bacterianas são menos frequentes (25% dos casos). Elas são causadas principalmente pelo Streptococcus pyogenes. Este também é chamado de estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Portanto, identificar o tipo é crucial para o tratamento correto.
Classificação das amigdalites
Existe uma classificação bem estabelecida segundo o livro “Head and Neck Surgery-Otolaryngology”, de Byron J. Bailey. Assim, as amigdalites são divididas em quatro categorias:
1. Amigdalite aguda
Esta forma caracteriza-se por início súbito dos sintomas. Geralmente dura entre 3 a 7 dias com tratamento adequado. Além disso, é a forma mais comum de amigdalite.
2. Amigdalite aguda recorrente
Define-se como múltiplos episódios de amigdalite aguda. Considera-se recorrente quando há:
- 7 ou mais episódios em 1 ano, ou
- 5 ou mais episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou
- 3 ou mais episódios por ano em 3 anos consecutivos
Nesse caso, pode haver indicação cirúrgica. Ou seja, a amigdalectomia (cirurgia de retirada das amígdalas) pode ser necessária.
3. Amigdalite crônica
Caracteriza-se por inflamação persistente das amígdalas. Os sintomas duram mais de 3 meses. Por isso, pode necessitar tratamento cirúrgico. Assim, a qualidade de vida melhora significativamente.
4. Hiperplasia amigdaliana
Ocorre aumento excessivo do tamanho das amígdalas. Consequentemente, pode causar obstrução respiratória. Também causa ronco e apneia do sono. Além disso, dificulta a deglutição.
Amigdalite viral: sintomas mais comuns
Muitos pacientes com amigdalite viral apresentam sintomas leves a moderados. Os principais sinais incluem:
- Dor de garganta leve a moderada: desconforto ao engolir
- Dificuldade de se alimentar: principalmente alimentos sólidos
- Dores no corpo (mialgia): sensação de corpo “moído”
- Febre baixa: geralmente até 38°C
- Obstrução nasal: nariz entupido
- Coriza hialina: secreção nasal clara
- Espirros: frequentes
- Tosse: pode estar presente
O quadro viral geralmente melhora em 3-5 dias. Isso ocorre mesmo sem tratamento específico. Portanto, repouso e hidratação são fundamentais.
Amigdalite bacteriana: sinais de alerta
Por outro lado, a amigdalite bacteriana costuma ser mais intensa. Ela apresenta sintomas mais graves:
- Dor intensa de garganta: dificulta muito a deglutição
- Febre alta: geralmente acima de 38,5°C, podendo chegar a 40°C
- Dores de ouvido (otalgia reflexa): dor irradiada para os ouvidos
- Queda do estado geral: prostração, fraqueza intensa
- Náuseas e vômitos: especialmente em crianças
- Placas purulentas: pontos brancos ou amarelados nas amígdalas
- Gânglios aumentados: ínguas dolorosas no pescoço
- Halitose: mau hálito intenso
Quando causada por Streptococcus pyogenes, o antibiótico é essencial. Portanto, a avaliação médica não deve ser adiada. Assim, previne-se complicações graves.
Sintomas da amigdalite crônica
A amigdalite crônica apresenta sintomas persistentes. Eles são diferentes das formas agudas. Os principais incluem:
- Dor de garganta crônica: desconforto constante ou recorrente
- Mau hálito (halitose): odor desagradável persistente
- Cáseos (cálculos amigdalianos): “bolinhas brancas” com odor fétido que saem das amígdalas
- Inchaço persistente das amígdalas: hipertrofia crônica
- Sensação de corpo estranho na garganta: desconforto constante
- Gosto ruim na boca: sensação metálica ou amarga
Afeta muito a qualidade de vida. Por isso, merece avaliação especializada. Dessa forma, pode-se considerar tratamento cirúrgico.
Complicações da amigdalite
É importante saber que a amigdalite pode complicar. Existem diversas formas. As complicações são divididas em dois grupos:
Complicações não supurativas (sistêmicas)
Estas estão relacionadas à resposta imunológica ao Streptococcus pyogenes:
- Escarlatina: exantema (manchas vermelhas na pele) causado por toxinas bacterianas
- Febre reumática: doença inflamatória que pode afetar coração, articulações, sistema nervoso e pele
- Glomerulonefrite pós-estreptocócica: inflamação dos rins que pode causar insuficiência renal
- Síndrome do choque tóxico: condição grave causada por toxinas bacterianas
O tratamento adequado previne essas complicações graves. Portanto, o uso correto de antibióticos é fundamental. Assim, evita-se problemas sérios de saúde.
Complicações supurativas (abscessos)
Podem ocorrer abscessos (acúmulo de pus). Eles aparecem em diferentes localizações:
- Abscesso periamigdaliano: ao redor da amígdala, causa dor intensa unilateral, trismo (dificuldade de abrir a boca) e desvio da úvula
- Abscesso parafaríngeo: no espaço lateral da faringe, pode comprometer estruturas vasculares e nervosas importantes
- Abscesso retrofaríngeo: atrás da faringe, mais comum em crianças pequenas, pode causar obstrução respiratória
Os abscessos requerem tratamento urgente. Geralmente com drenagem cirúrgica. Também necessitam antibióticos intravenosos. Portanto, são emergências médicas.
O que fazer em caso de sintomas de amigdalite?
É recomendável consulta com médico especialista. Ele avalia a necessidade de terapêutica individualizada. Afinal, o tratamento varia conforme o tipo de amigdalite.
Resumo Rápido: Amigdalite
| Tipos: | Viral (75% – rinovírus, adenovírus, EBV), Bacteriana (25% – S.pyogenes “estreptococo beta-hemolítico”) |
| Sintomas: | Dor garganta, odinofagia, febre, exsudato amígdalas, linfadenopatia, halitose |
| Diagnóstico: | Clínico (Centor Score), Teste rápido estreptococo, Cultura orofaringe |
| Tratamento: | Antibiótico (se bacteriana – Penicilina V ou Amoxicilina 10 dias), Analgésicos, Anti-inflamatórios |
| Cirurgia: | Indicação: ≥7 episódios/ano OU ≥5/ano em 2 anos consecutivos OU ≥3/ano em 3 anos + hipertrofia obstrutiva/SAOS |
Tratamento da amigdalite viral
- Analgésicos: paracetamol ou dipirona para dor e febre
- Anti-inflamatórios: ibuprofeno quando necessário
- Hidratação adequada: água, sucos naturais, chás mornos
- Repouso: importante para recuperação
- Gargarejos com água morna e sal: podem aliviar sintomas
Os sintomas melhoram em 3-5 dias. Não há necessidade de antibióticos. Portanto, o repouso é fundamental para recuperação.
Tratamento da amigdalite bacteriana
- Antibióticos: amoxicilina ou penicilina por 10 dias (esquema completo é essencial!)
- Analgésicos e anti-inflamatórios: para controle dos sintomas
- Hidratação: fundamental
- Repouso: pelo menos nos primeiros 3-5 dias
É fundamental completar o ciclo de antibióticos. Mesmo que os sintomas melhorem antes. Dessa forma, previne-se complicações. Também evita-se resistência bacteriana.
Tratamento cirúrgico (amigdalectomia)
Indicado principalmente em casos de:
- Amigdalites recorrentes (critérios mencionados anteriormente)
- Amigdalite crônica que não responde a tratamento clínico
- Hiperplasia amigdaliana com obstrução respiratória
- Abscessos periamigdalianos recorrentes
- Suspeita de malignidade
Quando procurar um otorrinolaringologista urgente?
Você deve buscar avaliação médica urgente se apresentar:
- Dor de garganta intensa que impede deglutição de líquidos
- Febre alta (acima de 39°C) persistente por mais de 48 horas
- Dificuldade para respirar ou abrir a boca (trismo)
- Inchaço visível no pescoço
- Salivação excessiva (sialorreia) por dificuldade de engolir
- Desvio da úvula (“campainha”) para um lado
- Criança muito prostrada, desidratada ou com dificuldade respiratória
Em crianças pequenas, não demore para procurar atendimento. Emergências relacionadas a amigdalites podem ser graves. Por isso, aja rapidamente ao notar os sinais de alerta.
Conclusão
Nem toda dor de garganta é uma simples “gripe”. Ela pode indicar amigdalite. Esta requer avaliação e tratamento adequados. Além disso, o tratamento incorreto pode levar a complicações graves.
É fundamental diferenciar amigdalite viral de bacteriana. Isso define o uso de antibióticos. Portanto, a avaliação médica especializada é essencial. Assim, garante-se o diagnóstico correto.
Se você ou seu filho tem amigdalites recorrentes, procure um otorrinolaringologista. Ele avaliará a necessidade de cirurgia. Afinal, cuide-se!
Saiba mais sobre amigdalites.
Leia também outras dúvidas frequentes sobre otorrinolaringologia
Entenda melhor amigdalites
Cirurgia das amígdalas
Meu filho operou as amígdalas e está comendo pouco, é normal?
Dieta após cirurgia da garganta
O que posso comer depois da cirurgia de amígdalas?
Caseum, Massinhas na garganta?
Tenho massinhas fedidas nas amígdalas, tenho que tirar?
FAQ: Amigdalite
Qual a diferença entre amigdalite viral e bacteriana?
Amigdalite viral (75% dos casos) geralmente apresenta início gradual, com sintomas de resfriado associados (coriza, tosse, rouquidão), febre leve a moderada, e melhora espontânea em 5-7 dias. Já a bacteriana (25%, principalmente Streptococcus pyogenes) tem início súbito, febre alta (>38.5°C), placas de pus amarelo-esbranquiçadas nas amígdalas, ausência de tosse, e REQUER antibiótico para evitar complicações como febre reumática.
Quando preciso de antibiótico para amigdalite?
Antibiótico está indicado APENAS se a amigdalite for bacteriana (confirmada por teste rápido de estreptococo ou cultura, ou altamente suspeita pelo Centor Score ≥3-4 pontos). Em amigdalites virais (maioria), antibiótico é completamente inútil e causa resistência bacteriana. O tratamento adequado da viral é sintomático: analgésicos e líquidos frios.
Quando a cirurgia de amígdalas (amigdalectomia) está indicada?
Pelos critérios Paradise (AAO-HNS 2019), cirurgia está indicada se: ≥7 episódios documentados de amigdalite em 1 ano, OU ≥5 episódios/ano em 2 anos consecutivos, OU ≥3 episódios/ano em 3 anos consecutivos. Também está indicada em casos de hipertrofia tonsilar obstrutiva causando apneia do sono (SAOS), abscessos peritonsilares recorrentes, ou suspeita de malignidade.
Amigdalectomia diminui a imunidade?
Não! Este é um mito comum. As amígdalas palatinas representam apenas pequena parte do sistema imunológico (anel linfático de Waldeyer), e outros tecidos linfoides compensam sua remoção. Estudos científicos mostram que pacientes operados NÃO apresentam mais infecções respiratórias – muitos até têm MENOS infecções, pois as amígdalas cronicamente infectadas funcionavam como reservatório de bactérias.
O que são as “bolinhas brancas fedidas” que saem da garganta?
São cáseos ou caseum tonsilar – acúmulo de detritos alimentares, células descamadas e bactérias nas criptas (buracos) das amígdalas. Causam halitose (mau hálito) e desconforto, mas NÃO são infecção ativa. Tratamento conservador inclui curetagem de criptas ou laser. Amigdalectomia resolve definitivamente, mas só está indicada se os sintomas forem severos e refratários.

