AMIGDALITE – O QUE EU TENHO QUE SABER?

Amigdalite: sintomas, causas e tratamento | Dr Lucas Zambon

 

 

O que as dores de garganta podem esconder? Será uma amigdalite?

Um dos sintomas mais comuns em consultórios médicos. Principalmente porque pode ter diversas causas. Desde infecções virais simples até condições mais sérias. Por isso, é fundamental entender quando a dor indica amigdalite.

Além disso, a amigdalite é muito comum em crianças. Portanto, conhecer sintomas, causas e tratamentos é essencial. Assim, você cuida melhor da saúde.

O que é: Tecido linfoide orofaringe (garganta), parte sistema imunológico
Sintomas: Dor de garganta, febre, aumento do pescoço, voz empastada, dor no corpo, fácies adenoideana
Complicações: Escarlatina, glomerulonefrite, abscesso periamigdaliano, abscesso cervical (pescoço)
Diagnóstico: Clínico + Videofaringolaringoscopia (grau obstrução e também avaliar tonsilas linguais), hemograma, pcr, exames de imagem como tomografia ou ressonância
Tratamento: Sintomáticos, antibioticos quando necessário, cirurgia se complicaçãoes como abscessos (drenagem ou cirurgia remoção) Indicação Cirúrgica: Amigdalites bacterianas de repetição, Abscessos periamigdalianos, caseum com alteração de qualidade de vida

 O que é amigdalite?

É uma doença inflamatória e/ou infecciosa das amígdalas (tonsilas palatinas). Ela pode ser causada por vírus ou bactérias.

Dados epidemiológicos mostram que 75% dos casos são virais. Consequentemente, a maioria não precisa de antibióticos. Ou seja, o uso indiscriminado de antibióticos deve ser evitado. Os causadores virais mais comuns são:

  • Rinovírus: vírus do resfriado comum
  • Coronavírus: incluindo SARS-CoV-2
  • Adenovírus: comum em crianças
  • Herpes simples: pode causar amigdalite herpética
  • Influenza e parainfluenza: vírus da gripe
  • Epstein-Barr: causa mononucleose infecciosa

Por outro lado, as amigdalites bacterianas são menos frequentes (25% dos casos). Elas são causadas principalmente pelo Streptococcus pyogenes. Este também é chamado de estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Portanto, identificar o tipo é crucial para o tratamento correto.

 Classificação das amigdalites

Existe uma classificação bem estabelecida segundo o livro “Head and Neck Surgery-Otolaryngology”, de Byron J. Bailey. Assim, as amigdalites são divididas em quatro categorias:

1. Amigdalite aguda

Esta forma caracteriza-se por início súbito dos sintomas. Geralmente dura entre 3 a 7 dias com tratamento adequado. Além disso, é a forma mais comum de amigdalite.

2. Amigdalite aguda recorrente

Define-se como múltiplos episódios de amigdalite aguda. Considera-se recorrente quando há:

  • 7 ou mais episódios em 1 ano, ou
  • 5 ou mais episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou
  • 3 ou mais episódios por ano em 3 anos consecutivos

Nesse caso, pode haver indicação cirúrgica. Ou seja, a amigdalectomia (cirurgia de retirada das amígdalas) pode ser necessária.

3. Amigdalite crônica

Caracteriza-se por inflamação persistente das amígdalas. Os sintomas duram mais de 3 meses. Por isso, pode necessitar tratamento cirúrgico. Assim, a qualidade de vida melhora significativamente.

4. Hiperplasia amigdaliana

Ocorre aumento excessivo do tamanho das amígdalas. Consequentemente, pode causar obstrução respiratória. Também causa ronco e apneia do sono. Além disso, dificulta a deglutição.

 Sintomas da amigdalite viral aguda

Muitos pacientes com amigdalite viral apresentam sintomas leves a moderados. Os principais sinais incluem:

  • Dor de garganta leve a moderada: desconforto ao engolir
  • Dificuldade de se alimentar: principalmente alimentos sólidos
  • Dores no corpo (mialgia): sensação de corpo “moído”
  • Febre baixa: geralmente até 38°C
  • Obstrução nasal: nariz entupido
  • Coriza hialina: secreção nasal clara
  • Espirros: frequentes
  • Tosse: pode estar presente

O quadro viral geralmente melhora em 3-5 dias. Isso ocorre mesmo sem tratamento específico. Portanto, repouso e hidratação são fundamentais.

 Sintomas da amigdalite bacteriana aguda

Por outro lado, a amigdalite bacteriana costuma ser mais intensa. Ela apresenta sintomas mais graves:

  • Dor intensa de garganta: dificulta muito a deglutição
  • Febre alta: geralmente acima de 38,5°C, podendo chegar a 40°C
  • Dores de ouvido (otalgia reflexa): dor irradiada para os ouvidos
  • Queda do estado geral: prostração, fraqueza intensa
  • Náuseas e vômitos: especialmente em crianças
  • Placas purulentas: pontos brancos ou amarelados nas amígdalas
  • Gânglios aumentados: ínguas dolorosas no pescoço
  • Halitose: mau hálito intenso

Quando causada por Streptococcus pyogenes, o antibiótico é essencial. Portanto, a avaliação médica não deve ser adiada. Assim, previne-se complicações graves.

 Sintomas da amigdalite crônica

A amigdalite crônica apresenta sintomas persistentes. Eles são diferentes das formas agudas. Os principais incluem:

  • Dor de garganta crônica: desconforto constante ou recorrente
  • Mau hálito (halitose): odor desagradável persistente
  • Cáseos (cálculos amigdalianos): “bolinhas brancas” com odor fétido que saem das amígdalas
  • Inchaço persistente das amígdalas: hipertrofia crônica
  • Sensação de corpo estranho na garganta: desconforto constante
  • Gosto ruim na boca: sensação metálica ou amarga

Afeta muito a qualidade de vida. Por isso, merece avaliação especializada. Dessa forma, pode-se considerar tratamento cirúrgico.

 Complicações da amigdalite

É importante saber que a amigdalite pode complicar. Existem diversas formas. As complicações são divididas em dois grupos:

 Complicações não supurativas (sistêmicas)

Estas estão relacionadas à resposta imunológica ao Streptococcus pyogenes:

  • Escarlatina: exantema (manchas vermelhas na pele) causado por toxinas bacterianas
  • Febre reumática: doença inflamatória que pode afetar coração, articulações, sistema nervoso e pele
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica: inflamação dos rins que pode causar insuficiência renal
  • Síndrome do choque tóxico: condição grave causada por toxinas bacterianas

O tratamento adequado previne essas complicações graves. Portanto, o uso correto de antibióticos é fundamental. Assim, evita-se problemas sérios de saúde.

 Complicações supurativas (abscessos)

Podem ocorrer abscessos (acúmulo de pus). Eles aparecem em diferentes localizações:

  • Abscesso periamigdaliano: ao redor da amígdala, causa dor intensa unilateral, trismo (dificuldade de abrir a boca) e desvio da úvula
  • Abscesso parafaríngeo: no espaço lateral da faringe, pode comprometer estruturas vasculares e nervosas importantes
  • Abscesso retrofaríngeo: atrás da faringe, mais comum em crianças pequenas, pode causar obstrução respiratória

Os abscessos requerem tratamento urgente. Geralmente com drenagem cirúrgica. Também necessitam antibióticos intravenosos. Portanto, são emergências médicas.

 O que fazer em caso de sintomas de amigdalite?

É recomendável consulta com médico especialista. Ele avalia a necessidade de terapêutica individualizada. Afinal, o tratamento varia conforme o tipo de amigdalite.

 Tratamento da amigdalite viral

  • Analgésicos: paracetamol ou dipirona para dor e febre
  • Anti-inflamatórios: ibuprofeno quando necessário
  • Hidratação adequada: água, sucos naturais, chás mornos
  • Repouso: importante para recuperação
  • Gargarejos com água morna e sal: podem aliviar sintomas

Os sintomas melhoram em 3-5 dias. Não há necessidade de antibióticos. Portanto, o repouso é fundamental para recuperação.

 Tratamento da amigdalite bacteriana

  • Antibióticos: amoxicilina ou penicilina por 10 dias (esquema completo é essencial!)
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: para controle dos sintomas
  • Hidratação: fundamental
  • Repouso: pelo menos nos primeiros 3-5 dias

É fundamental completar o ciclo de antibióticos. Mesmo que os sintomas melhorem antes. Dessa forma, previne-se complicações. Também evita-se resistência bacteriana.

 Tratamento cirúrgico (amigdalectomia)

Indicado principalmente em casos de:

  • Amigdalites recorrentes (critérios mencionados anteriormente)
  • Amigdalite crônica que não responde a tratamento clínico
  • Hiperplasia amigdaliana com obstrução respiratória
  • Abscessos periamigdalianos recorrentes
  • Suspeita de malignidade

 Quando procurar um otorrinolaringologista urgente?

Você deve buscar avaliação médica urgente se apresentar:

  • Dor de garganta intensa que impede deglutição de líquidos
  • Febre alta (acima de 39°C) persistente por mais de 48 horas
  • Dificuldade para respirar ou abrir a boca (trismo)
  • Inchaço visível no pescoço
  • Salivação excessiva (sialorreia) por dificuldade de engolir
  • Desvio da úvula (“campainha”) para um lado
  • Criança muito prostrada, desidratada ou com dificuldade respiratória

Em crianças pequenas, não demore para procurar atendimento. Emergências relacionadas a amigdalites podem ser graves. Por isso, aja rapidamente ao notar os sinais de alerta.

Conclusão

Nem toda dor de garganta é uma simples “gripe”. Ela pode indicar amigdalite. Esta requer avaliação e tratamento adequados. Além disso, o tratamento incorreto pode levar a complicações graves.

É fundamental diferenciar amigdalite viral de bacteriana. Isso define o uso de antibióticos. Portanto, a avaliação médica especializada é essencial. Assim, garante-se o diagnóstico correto.

Se você ou seu filho tem amigdalites recorrentes, procure um otorrinolaringologista. Ele avaliará a necessidade de cirurgia. Afinal, cuide-se!

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Dr. Lucas de Azeredo Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825

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