Amigdalite: quando é grave e quando precisa de antibiótico

Amigdalite: sintomas, causas e tratamento | Dr Lucas Zambon

 

 

Dor de garganta: quando pode ser amigdalite?

A dor de garganta é um dos sintomas mais comuns — mas nem sempre é algo simples. Principalmente porque pode ter diversas causas. Desde infecções virais simples até condições mais sérias. Por isso, é fundamental entender quando a dor indica amigdalite.

Além disso, a amigdalite é muito comum em crianças. Portanto, conhecer sintomas, causas e tratamentos é essencial. Assim, você cuida melhor da saúde.

Amigdalite: como saber se é viral ou bacteriana

  • viral → sintomas leves, coriza, tosse, melhora sozinho

  • bacteriana → dor intensa, febre alta, placas na garganta, pode precisar antibiótico

O que é amigdalite?

É uma doença inflamatória e/ou infecciosa das amígdalas (tonsilas palatinas). Ela pode ser causada por vírus ou bactérias.

Dados epidemiológicos mostram que 75% dos casos são virais. Consequentemente, a maioria não precisa de antibióticos. Ou seja, o uso indiscriminado de antibióticos deve ser evitado. Os causadores virais mais comuns são:

  • Rinovírus: vírus do resfriado comum
  • Coronavírus: incluindo SARS-CoV-2
  • Adenovírus: comum em crianças
  • Herpes simples: pode causar amigdalite herpética
  • Influenza e parainfluenza: vírus da gripe
  • Epstein-Barr: causa mononucleose infecciosa

Por outro lado, as amigdalites bacterianas são menos frequentes (25% dos casos). Elas são causadas principalmente pelo Streptococcus pyogenes. Este também é chamado de estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Portanto, identificar o tipo é crucial para o tratamento correto.

 Classificação das amigdalites

Existe uma classificação bem estabelecida segundo o livro “Head and Neck Surgery-Otolaryngology”, de Byron J. Bailey. Assim, as amigdalites são divididas em quatro categorias:

1. Amigdalite aguda

Esta forma caracteriza-se por início súbito dos sintomas. Geralmente dura entre 3 a 7 dias com tratamento adequado. Além disso, é a forma mais comum de amigdalite.

2. Amigdalite aguda recorrente

Define-se como múltiplos episódios de amigdalite aguda. Considera-se recorrente quando há:

  • 7 ou mais episódios em 1 ano, ou
  • 5 ou mais episódios por ano em 2 anos consecutivos, ou
  • 3 ou mais episódios por ano em 3 anos consecutivos

Nesse caso, pode haver indicação cirúrgica. Ou seja, a amigdalectomia (cirurgia de retirada das amígdalas) pode ser necessária.

3. Amigdalite crônica

Caracteriza-se por inflamação persistente das amígdalas. Os sintomas duram mais de 3 meses. Por isso, pode necessitar tratamento cirúrgico. Assim, a qualidade de vida melhora significativamente.

4. Hiperplasia amigdaliana

Ocorre aumento excessivo do tamanho das amígdalas. Consequentemente, pode causar obstrução respiratória. Também causa ronco e apneia do sono. Além disso, dificulta a deglutição.

Amigdalite viral: sintomas mais comuns

Muitos pacientes com amigdalite viral apresentam sintomas leves a moderados. Os principais sinais incluem:

  • Dor de garganta leve a moderada: desconforto ao engolir
  • Dificuldade de se alimentar: principalmente alimentos sólidos
  • Dores no corpo (mialgia): sensação de corpo “moído”
  • Febre baixa: geralmente até 38°C
  • Obstrução nasal: nariz entupido
  • Coriza hialina: secreção nasal clara
  • Espirros: frequentes
  • Tosse: pode estar presente

O quadro viral geralmente melhora em 3-5 dias. Isso ocorre mesmo sem tratamento específico. Portanto, repouso e hidratação são fundamentais.

Amigdalite bacteriana: sinais de alerta

Por outro lado, a amigdalite bacteriana costuma ser mais intensa. Ela apresenta sintomas mais graves:

  • Dor intensa de garganta: dificulta muito a deglutição
  • Febre alta: geralmente acima de 38,5°C, podendo chegar a 40°C
  • Dores de ouvido (otalgia reflexa): dor irradiada para os ouvidos
  • Queda do estado geral: prostração, fraqueza intensa
  • Náuseas e vômitos: especialmente em crianças
  • Placas purulentas: pontos brancos ou amarelados nas amígdalas
  • Gânglios aumentados: ínguas dolorosas no pescoço
  • Halitose: mau hálito intenso

Quando causada por Streptococcus pyogenes, o antibiótico é essencial. Portanto, a avaliação médica não deve ser adiada. Assim, previne-se complicações graves.

 Sintomas da amigdalite crônica

A amigdalite crônica apresenta sintomas persistentes. Eles são diferentes das formas agudas. Os principais incluem:

  • Dor de garganta crônica: desconforto constante ou recorrente
  • Mau hálito (halitose): odor desagradável persistente
  • Cáseos (cálculos amigdalianos): “bolinhas brancas” com odor fétido que saem das amígdalas
  • Inchaço persistente das amígdalas: hipertrofia crônica
  • Sensação de corpo estranho na garganta: desconforto constante
  • Gosto ruim na boca: sensação metálica ou amarga

Afeta muito a qualidade de vida. Por isso, merece avaliação especializada. Dessa forma, pode-se considerar tratamento cirúrgico.

 Complicações da amigdalite

É importante saber que a amigdalite pode complicar. Existem diversas formas. As complicações são divididas em dois grupos:

 Complicações não supurativas (sistêmicas)

Estas estão relacionadas à resposta imunológica ao Streptococcus pyogenes:

  • Escarlatina: exantema (manchas vermelhas na pele) causado por toxinas bacterianas
  • Febre reumática: doença inflamatória que pode afetar coração, articulações, sistema nervoso e pele
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica: inflamação dos rins que pode causar insuficiência renal
  • Síndrome do choque tóxico: condição grave causada por toxinas bacterianas

O tratamento adequado previne essas complicações graves. Portanto, o uso correto de antibióticos é fundamental. Assim, evita-se problemas sérios de saúde.

 Complicações supurativas (abscessos)

Podem ocorrer abscessos (acúmulo de pus). Eles aparecem em diferentes localizações:

  • Abscesso periamigdaliano: ao redor da amígdala, causa dor intensa unilateral, trismo (dificuldade de abrir a boca) e desvio da úvula
  • Abscesso parafaríngeo: no espaço lateral da faringe, pode comprometer estruturas vasculares e nervosas importantes
  • Abscesso retrofaríngeo: atrás da faringe, mais comum em crianças pequenas, pode causar obstrução respiratória

Os abscessos requerem tratamento urgente. Geralmente com drenagem cirúrgica. Também necessitam antibióticos intravenosos. Portanto, são emergências médicas.

 O que fazer em caso de sintomas de amigdalite?

É recomendável consulta com médico especialista. Ele avalia a necessidade de terapêutica individualizada. Afinal, o tratamento varia conforme o tipo de amigdalite.

Resumo Rápido: Amigdalite

Tipos: Viral (75% – rinovírus, adenovírus, EBV), Bacteriana (25% – S.pyogenes “estreptococo beta-hemolítico”)
Sintomas: Dor garganta, odinofagia, febre, exsudato amígdalas, linfadenopatia, halitose
Diagnóstico: Clínico (Centor Score), Teste rápido estreptococo, Cultura orofaringe
Tratamento: Antibiótico (se bacteriana – Penicilina V ou Amoxicilina 10 dias), Analgésicos, Anti-inflamatórios
Cirurgia: Indicação: ≥7 episódios/ano OU ≥5/ano em 2 anos consecutivos OU ≥3/ano em 3 anos + hipertrofia obstrutiva/SAOS

 Tratamento da amigdalite viral

  • Analgésicos: paracetamol ou dipirona para dor e febre
  • Anti-inflamatórios: ibuprofeno quando necessário
  • Hidratação adequada: água, sucos naturais, chás mornos
  • Repouso: importante para recuperação
  • Gargarejos com água morna e sal: podem aliviar sintomas

Os sintomas melhoram em 3-5 dias. Não há necessidade de antibióticos. Portanto, o repouso é fundamental para recuperação.

 Tratamento da amigdalite bacteriana

  • Antibióticos: amoxicilina ou penicilina por 10 dias (esquema completo é essencial!)
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: para controle dos sintomas
  • Hidratação: fundamental
  • Repouso: pelo menos nos primeiros 3-5 dias

É fundamental completar o ciclo de antibióticos. Mesmo que os sintomas melhorem antes. Dessa forma, previne-se complicações. Também evita-se resistência bacteriana.

 Tratamento cirúrgico (amigdalectomia)

Indicado principalmente em casos de:

  • Amigdalites recorrentes (critérios mencionados anteriormente)
  • Amigdalite crônica que não responde a tratamento clínico
  • Hiperplasia amigdaliana com obstrução respiratória
  • Abscessos periamigdalianos recorrentes
  • Suspeita de malignidade

 Quando procurar um otorrinolaringologista urgente?

Você deve buscar avaliação médica urgente se apresentar:

  • Dor de garganta intensa que impede deglutição de líquidos
  • Febre alta (acima de 39°C) persistente por mais de 48 horas
  • Dificuldade para respirar ou abrir a boca (trismo)
  • Inchaço visível no pescoço
  • Salivação excessiva (sialorreia) por dificuldade de engolir
  • Desvio da úvula (“campainha”) para um lado
  • Criança muito prostrada, desidratada ou com dificuldade respiratória

Em crianças pequenas, não demore para procurar atendimento. Emergências relacionadas a amigdalites podem ser graves. Por isso, aja rapidamente ao notar os sinais de alerta.

Conclusão

Nem toda dor de garganta é uma simples “gripe”. Ela pode indicar amigdalite. Esta requer avaliação e tratamento adequados. Além disso, o tratamento incorreto pode levar a complicações graves.

É fundamental diferenciar amigdalite viral de bacteriana. Isso define o uso de antibióticos. Portanto, a avaliação médica especializada é essencial. Assim, garante-se o diagnóstico correto.

Se você ou seu filho tem amigdalites recorrentes, procure um otorrinolaringologista. Ele avaliará a necessidade de cirurgia. Afinal, cuide-se!

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FAQ: Amigdalite

Qual a diferença entre amigdalite viral e bacteriana?

Amigdalite viral (75% dos casos) geralmente apresenta início gradual, com sintomas de resfriado associados (coriza, tosse, rouquidão), febre leve a moderada, e melhora espontânea em 5-7 dias. Já a bacteriana (25%, principalmente Streptococcus pyogenes) tem início súbito, febre alta (>38.5°C), placas de pus amarelo-esbranquiçadas nas amígdalas, ausência de tosse, e REQUER antibiótico para evitar complicações como febre reumática.

Quando preciso de antibiótico para amigdalite?

Antibiótico está indicado APENAS se a amigdalite for bacteriana (confirmada por teste rápido de estreptococo ou cultura, ou altamente suspeita pelo Centor Score ≥3-4 pontos). Em amigdalites virais (maioria), antibiótico é completamente inútil e causa resistência bacteriana. O tratamento adequado da viral é sintomático: analgésicos e líquidos frios.

Quando a cirurgia de amígdalas (amigdalectomia) está indicada?

Pelos critérios Paradise (AAO-HNS 2019), cirurgia está indicada se: ≥7 episódios documentados de amigdalite em 1 ano, OU ≥5 episódios/ano em 2 anos consecutivos, OU ≥3 episódios/ano em 3 anos consecutivos. Também está indicada em casos de hipertrofia tonsilar obstrutiva causando apneia do sono (SAOS), abscessos peritonsilares recorrentes, ou suspeita de malignidade.

Amigdalectomia diminui a imunidade?

Não! Este é um mito comum. As amígdalas palatinas representam apenas pequena parte do sistema imunológico (anel linfático de Waldeyer), e outros tecidos linfoides compensam sua remoção. Estudos científicos mostram que pacientes operados NÃO apresentam mais infecções respiratórias – muitos até têm MENOS infecções, pois as amígdalas cronicamente infectadas funcionavam como reservatório de bactérias.

O que são as “bolinhas brancas fedidas” que saem da garganta?

São cáseos ou caseum tonsilar – acúmulo de detritos alimentares, células descamadas e bactérias nas criptas (buracos) das amígdalas. Causam halitose (mau hálito) e desconforto, mas NÃO são infecção ativa. Tratamento conservador inclui curetagem de criptas ou laser. Amigdalectomia resolve definitivamente, mas só está indicada se os sintomas forem severos e refratários.

Dr. Lucas de Azeredo Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825

Dr. Lucas de Azeredo Zambon
Médico Otorrinolaringologista em Curitiba
CRM-PR 31209 | RQE 16825

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